A proposta de reforma da Previdência Social dividiu opiniões de profissionais ligados a questões sobre aposentadoria no Alto Tietê. Enquanto alguns defendem que a medida é necessária para que não haja a falência do sistema, outros criticam a "severidade" com que as ações estão sendo impostas.
Conforme já noticiado pelo Grupo Mogi News, entre os pontos propostos pela reforma apresentada pelo governo federal está a estipulação de uma idade mínima de aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres.
Atualmente, não há uma idade mínima para se aposentar. O trabalhador pode solicitar a aposentadoria ao atingir 30 anos de contribuição, no caso das mulheres, e 35 anos no dos homens. Já para receber o benefício integral, é preciso atingir a fórmula 85 (mulheres) e 95 (homens), que é a soma da idade com o tempo de contribuição.
Na visão do advogado trabalhista Cedric Darwin, que mantém seu escritório em Itaquaquecetuba, o texto foi elaborado pensando em uma boa margem de negociação no Congresso. "Essa proposta foi enviada desta forma justamente para não ser aprovada. A ideia é abrir negociação com os representantes sindicais. É um jogo de cena, para que sejam apresentadas emendas e se chegue a um meio termo, que é justamente o ponto onde eles querem chegar", disse.
Para que haja essa alteração no texto, antes que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) seja aprovada será necessária a intervenção das partes interessadas. E é justamente isso que pretende fazer o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), que mantém uma subsede regional em Suzano, segundo destacou o presidente da entidade Carlos Ortiz.
"Eles estão pegando uma crise, que eles mesmos fizeram, e colocando para o cidadão pagar. Estão criando mecanismos para impedir que o trabalhador se aposente. Somos contra essa medida".
Já o economista Waldir Pereira destaca que a medida, apesar de drástica, se faz necessária. "Infelizmente alguns setores terão que arcar com o prejuízo. Mas é necessário que se tome uma providência para que o sistema previdenciário não entre em um colapso".
A previsão é que, se a reforma for efetivada, ela promoverá uma economia de R$ 678 bilhões em dez anos. O valor é resultante da comparação da expectativa de despesa sem a reforma e a projeção de gasto após a aprovação das novas regras.