Juro que as coisas estão ficando teratológicas nesta terra de macunaímas!
Sempre imaginei que a ética, ordem valorativa e moral, fosse conceito filosófico, e como tal, abstração das quais, às vezes, se lança mãos para se nortear a sociedade ou para se pesar condutas.
Ledo engano do escriba! Entre nós, não só a materializaram, como também lhe deram peso e medida!
De pasmar-se! Nossos políticos, fazendo-se de Aristóteles, ou quem sabe Kant, criaram o conceito emblemático, que "corrupção leve", "abuso pequeno", que "não causa mal grave", não deve ser considerado antiético, não merece punição!
Reunidos em grande número, tiveram o desplante de procurarem o famigerado ministro Geddel para hipotecarem solidariedade.
Afinal, segundo eles, simples fato do uso de poder por "otoridade".
Oligarcas deste País sem rumo, e que chafurda mais a cada dia, compreenderam o ato do ex-colega e quase que lhe aplaudiram a ação.
Mais não era de se esperar! Respondendo, a grande maioria, por infrações gravíssimas; na marca do pênalti ou na espera das grades; não só endossaram a calhordice, como a acharam naturalíssima.
Houve de tudo, no instante! Bem a gosto dos políticos - algo que parece ter se tornado marca a identifica-los quando pegos com a boca na botija -, lembrando-se do pai, ou da mãe, ou do avô, o ministro salafrário se fez de coitado, chorando a não mais poder (ou pelo Poder?).
E tudo sob as vistas solenes do Presidente sem votos, que leniente como tem se mostrado com as falcatruas de Jucá et caterva, com indisfarçável felicidade, aplaudia a redenção do querido amigo, um de seus braços direitos.
Só me resta a dúvida; depois do canhestro exemplo, o que vou dizer ao meu filho, quando - coisas de garoto -, extrapolar, "só um pouquinho", regras sociais?