O furto de gasolina em um oleoduto da Transpetro foi identificado, na madrugada de ontem, em Itaquaquecetuba, pelo Corpo de Bombeiros e pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A ação causou um vazamento de combustível na região do rio Mascarenhas, na estrada do Bonsucesso, no Rio Abaixo. Até a tarde de ontem, foram retirados 30 mil litros de produto na região do córrego. Os criminosos cavaram um buraco de aproximadamente três metros de profundidade, que começava dentro de um galpão utilizado como borracharia de fachada para camuflar a infração.
No imóvel também foram encontrados 147 mil litros de combustível armazenados em tanques. A ocorrência foi registrada no 1º Distrito Policial da cidade e ninguém havia sido preso até a tarde de ontem. A Polícia Civil investiga o caso. De acordo com as primeiras apurações, após construir os buracos, foi feito um túnel com cinco metros de cumprimento até alcançar a tubulação da Petrobras por onde passava a gasolina e perfurá-lo. O combustível furtado era retirado e armazenado dentro do galpão em sete tanques com capacidade para 21 mil litros. Os recipientes, inclusive, estavam cheios quando os técnicos chegaram.
O vazamento da gasolina encharcou o solo e atingiu o córrego da região. Os bombeiros, juntamente com com equipes de químicos do setor de emergência da Cetesb e a Defesa Civil ainda trabalham no local para conter o risco de possíveis explosões ou maiores danos ambientais. Não há previsão para o término dos serviços. "Estamos fazendo um serviço de prevenção. Tem gasolina vazando, então há gases, que podem causar uma pequena explosão e bastante fogo, porque está vazando direto", explicou o sargento do Corpo de Bombeiros José Antônio de França, acrescentando também detalhes sobre a ação preventiva que está sendo executada na área. "Estamos jogando espuma química e isso vai abreviando os riscos. É feita uma cobertura que resfria e, ao mesmo tempo, impede que os gases subam", detalhou. De acordo com a corporação, os vizinhos sentiram um cheiro forte de gasolina e acionaram o Corpo de Bombeiros.
Trabalhos
Por se tratar de uma área industrial, não foi necessária a remoção de pessoas. As empresas do entorno estão em locais seguros, segundo o químico do setor de emergência da companhia ambiental, Jorge Luiz Nobre Gouvea. "A Cetesb deslocou uma equipe de emergência durante a madrugada e passou a acompanhar a avaliação ambiental dos danos, que inclui o odor forte, concentrações de inflamabilidade e o rio Mascarenhas, que é o córrego que também foi atingido", informou o especialista. Segundo ele, a companhia também fez coleta de amostras de água e encaminhou para os laboratórios. "Agora, aguardamos os resultados e o desenvolvimento dos trabalhos para fazer uma avaliação".
No local também haviam caminhões-tanque enviados pela Transpetro para o transporte da gasolina. "Estamos acompanhando os trabalhos desde a madrugada com os recursos que são necessários para o enfrentamento dessa situação, sejam eles caminhões que estão retirando o combustível, materiais absorventes, máquinas", detalhou Gouvea, explicando também que está sendo feita uma vala para chegar até o duto, para fazer os reparos necessários e conter o vazamento. "Esse é um trabalho que tem que ser feito com muitos critérios de segurança, porque tem vapores de combustível que podem gerar faísca ou uma fonte de ignição".