Era uma quarta-feira ensolarada, quando um motoqueiro passa na rua Dr. Prudente de Moraes, no Jardim Natal, em Suzano, e chama a atenção dos motoristas. É que em tempos de preguiça para ir a pé até a padaria na esquina, surpreende alguém que tem força de vontade suficiente para pilotar uma moto sendo tetraplégico. Pois Alexandre Rozendo dos Santos, de 44 anos, não só foi perseverante, após sofrer uma lesão medular, como até hoje é otimista, tendo como sonho "ajudar o Brasil de alguma forma, propiciando incentivo, oportunidade e acessibilidade aos deficientes, porque dois centímetros em uma guia, para um cadeirante, é como se fosse uma parede". 
Localizado pela reportagem em um condomínio de Suzano, Santos conta que ficou tetraplégico cinco anos atrás, quando sofreu uma agressão na saída de uma choperia no município de Pompeia, no interior de São Paulo, onde visitava familiares. "Foi em 8 de agosto de 2011. Lembro apenas que conversava com uma moça, ela fez uma ligação e, horas depois, acordei com o rosto no chão, jogado em um parque de areia. Me disseram que foi um homem que fez isso; roubaram meu relógio e carteira. Trituraram minha quinta vértebra, não se sabe como e nem se usaram algum tipo de instrumento. Quase morri. Só estou aqui por causa do impossível".
Santos contou que, ao ser socorrido, devido aos poucos recursos na cidade, um funcionário da prefeitura o colocou em uma maca e não havia nem colar cervical, mas que foi devido a essa pessoa que ele está vivo. "Fui levado para a Santa Casa e, de lá, para o hospital de Marília. Tiraram uma radiografia e viram que eu precisaria fazer uma cirurgia, mas, segundo os médicos, eu tinha 99% de chances de morrer, então, só passei pelo procedimento cirúrgico depois de muita conversa com a equipe médica e minha família. Porém, os médicos deixaram claro que eu nunca mais iria andar".
Os dias que se seguiram foram bastante desafiadores para Santos, pois ele foi para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), contraiu infecção e precisou usar colar cervical durante quatro meses, quando foi diagnosticado que estava tetraplégico completo, perdendo todos os movimentos do pescoço para baixo. "Essa foi a pior fase, porque eu tinha noção e via tudo, falava pelos cotovelos. Mas tinha ficado totalmente dependente e sempre fui muito ativo. Já andava de moto, inclusive, e os médicos disseram que eu nunca mais ia poder fazer isso. Mas um enfermeiro me deu um conselho, que achei bastante válido e procurei seguir".