Elas têm diversos tamanhos, pesos e valores. De acordo com o Banco Central, existem mais de 24 bilhões espalhadas pelo Brasil, mas elas andam sumidas do comércio. As moedas têm ficado cada vez mais escassas em lojas, lotéricas, transporte público e nos supermercados.
Entre os motivos apontados para o desaparecimento do troco estão o hábito das pessoas de guardar as moedas em cofrinhos e até mesmo colecionar as peças comemorativas, como as lançadas no período da Olimpíada no Rio de Janeiro.
O lotérico Roberto Pirani afirmou que as moedas de maior valor são as mais difíceis de se encontrar. "O problema da falta de moedas é geral. As moedas de R$ 0,50 e R$ 1 são as mais escassas. Temos que pedir para alguns clientes que costumam guardar moedas trazerem. Colocamos cartazes também solicitando que as pessoas facilitem o troco", destacou.
Pirani argumentou que um dos motivos que leva à falta de moedas no comércio é o hábito das pessoas guardarem o dinheiro em cofres. Ele acrescentou ainda que a falta do troco tem aumentado. "Muitas pessoas veem que tem gente que guarda moedas o ano inteiro e depois consegue comprar um carro, por exemplo. As moedas de cinco e dez centavos são mais fáceis de achar, pois é mais comum poupar as de R$ 1", disse. O lotérico ressaltou ainda que o lançamento das moedas comemorativas ajudou a esvaziar as caixas registradoras.
A comerciante Paula Patraze, de 29 anos, tem uma lanchonete na região central de Mogi das Cruzes e reclamou da falta de moedas. "É mais difícil encontrar as de R$ 0,25, R$ 0,50 e
R$ 1. Quando não tenho troco recorro aos comércios vizinhos, mas não é sempre que consigo. Algumas vezes fazemos um desconto para os clientes por falta de moedas. Agora, no fim do ano, as pessoas costumam quebrar os cofrinhos e melhora um pouco a situação", ressaltou.
A gerente Eliane Di Polito, 55, contou que já chegou a perder algumas vendas pela falta de troco. "Precisamos mais de moedas de R$ 1 e R$ 0,50, mas é difícil de encontrá-las. Quando falta tentamos buscar no banco. Achei que com a crise as pessoas soltariam as moedas, mas é o contrário. Além delas, sofremos com a escassez de notas de R$ 2 e R$ 5", disse.
A doméstica Rita de Souza, 62, contou que costuma guardar dinheiro no cofrinho. "Não deixo acumular muito. Quando chega a R$ 30 ou R$ 40 já troco. Sempre ando com moedas", acrescentou.