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O padre Júlio Lancellotti fez duras críticas às políticas públicas voltadas aos moradores de rua de Suzano, na tarde de ontem. Ele é referência nacional no que diz respeito a ações em prol dessas pessoas e esteve presente no primeiro Fórum de Debates, cujo tema foi "População em situação de rua: da invisibilidade ao protagonismo e direito à cidade". O evento ocorreu no galpão do antigo prédio do Restaurante Popular e também contou com a presença da Secretária Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Leonice Ramos Ferreira, e da promotora de Justiça Carolina Rodrigues Lotfi.
A necessidade da participação das pessoas em situação de rua foi defendida pelo padre. "Eu venho aqui para aprender, ouvir e partilhar a experiência que temos. Não há respostas absolutas e definitivas, pois as respostas têm de ser construídas. E eles (moradores de rua) têm que participar dessa construção, que não pode ser algo de cima para baixo, mas algo construído com eles", completou.
Na ocasião, foram apresentados números de atendimentos e cadastros realizados pela Assistência Social, além dos trabalhos que são executados para a população em situação de rua. O padre alfinetou a administração municipal e falou da importância da humanização dos serviços a esse público. "Percebi que, quando falam de população de rua, se referem a eles como números e atendimentos, não como pessoas. E as ações que fazem são referidas como trabalho e não convivência. Falta humanizar o atendimento, ouvir as pessoas de rua. Tudo que eles fazem é discriminado", avaliou, lembrando da dificuldade de convivência dessas pessoas, pois o acesso é restrito em estabelecimentos privados, públicos e até em igrejas.
Lancellotti também destacou que as ações não podem se limitar apenas a um setor. "Não é só Assistência Social, tem a Saúde também. Só que ainda existe uma burocracia terrivelmente grande para trazer dignidade a essas pessoas", disse. Outra situação que chamou a atenção do padre foi o fato de o evento ser realizado em um espaço que fornecia alimentação e foi desativado. "Quando vi que na fachada estava escrito 'Restaurante Popular', pensei que teria, pelo menos, uma sobremesa", brincou. "Mas cheguei aqui e vi que não tem mais comida", alfinetou.
Humanização
Durante a conversa, o padre fez questão de abraçar e fazer demonstrações de humanização com as pessoas em situação de rua presentes. Em determinado momento, Lancellotti estimulou o público que estava assistindo ao fórum a se levantar e servir os mendigos que ali estavam com os comes e bebes disponíveis. A maioria se comoveu e levantou.Apesar das críticas, o padre também elogiou o fato de o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) disponibilizar o curso de banho e tosa no programa "Gerando Renda".
"Durante o inverno houve muito barulho em relação as pessoas em situação de rua, com comoção em diversos grupos, entidades e igrejas, levando comida e roupas, além de oferecer abrigo. Logo que passou o inverno, tudo se aquietou, então o objetivo do fórum é provocar, novamente, uma conversa entre todos que, naquele período, se comoveram", explicou o padre Ademir Andrade Sá, responsável pela organização do Fórum de Debates.
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