A recomendação do enfermeiro era para que Alexandre Rozendo dos Santos fechasse os olhos e se concentrasse, imaginando que tinha movimentos nas pernas, mãos e braços.
Aos poucos e com persistência, ele começou a notar pequenos espasmos involuntários e foi onde percebeu que não tinha uma "sentença definitiva" decretada.
Hoje, Santos mora sozinho, cozinha, limpa a casa, recebe os amigos em seu apartamento e faz compras ou passeia com sua moto Suzuki Scooter Burgman, adaptada como triciclo, com suporte para a cadeira de rodas e fabricada no Guarujá. Com alguns movimentos recuperados, com auxílio de fisioterapia, ele sai da cadeira de rodas e monta na moto, além de praticar esportes, como tênis de mesa, em Mogi das Cruzes, e aeromodelismo, outra de suas paixões. "Sempre tive uma vida muito ativa e trabalhei como segurança durante muitos anos. Desde o primeiro momento em que eu abri os olhos no hospital, só tive a agradecer. Não desejo isso nem para quem me deixou assim, porque eu teria que ser uma pessoa muito ruim para querer o mesmo para ele", argumentou.
Para Santos, o impossível é, de fato, uma questão de opinião. "A moto era um sonho e o triciclo é a minha vida, pois me dá a sensação de liberdade. Já o aeromodelismo é um hobby, uma terapia. Também construí um protótipo de drone, tenho uma coleção de carrinhos de controle remoto e gosto de fazer vídeos de aeromodelismo. Participo de um grupo e vamos aos finais de semana a um parque colocar nossos aviões no ar".
Atualmente aposentado, ele comenta: "Às vezes fico parado, mas estou em paz comigo mesmo. Tem gente que para e fica depressiva. Acho que o segredo é manter uma vida dinâmica, com a mente boa. E eu acredito em milagres, por conta de tudo o que me aconteceu. Creio no poder da cura através da fé", diz ele, que não frequenta nenhuma religião específica.
Por fim, Santos afirma que há outra providência necessária à vida e que esta é bem simples. "Sorrir. Porque seria bom se as pessoas soubessem o quanto vale um sorriso. É um bem para tudo, mesmo que as dificuldades sejam grandes. Então, nunca desista". (C.I.)