Assim como nos anos anteriores, o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado ontem, mais uma vez foi marcado por correria e atrasos. Em Mogi das Cruzes, muitos candidatos também não conseguiram prestar o exame em função de problemas com o documento de identidade.
Os portões dos locais de prova foram abertos ao meio-dia. Por volta das 12h55, voluntários, familiares e amigos de candidatos, que aguardavam ao lado de fora de uma universidade, localizada no Mogilar, iniciaram a contagem repressiva para o fechamento dos portões.
Com aplausos, gritos e palavras de incentivo, tentavam dar forças aos que vinham correndo para não perder o exame. No entanto, às 13 horas em ponto os portões foram trancados.
Entre os que não conseguiram chegar a tempo estava o estudante Erick Gustavo, de 16 anos, que ficou preso no trânsito. A mãe, que também iria fazer a prova, conseguiu entrar. "A gente veio de ônibus, mas por causa do trânsito acabei perdendo a hora. Minha mãe veio na frente, pois com problemas nas pernas não consegui correr. Eu ia fazer apenas para testar meus conhecimentos, então não fiquei muito frustrado", disse.
Frustração foi o que não faltou para a estudante Camila Maria de Barros Souza, 17. Apesar de ter chegado ao local muito antes do tempo limite, a jovem não pode fazer a prova. Isso porque seu documento de identidade não foi aceito. "Eu trouxe meu RG antigo, pois fui assaltada recentemente. Eles disseram que eu só podia ficar se tivesse o boletim de ocorrência. Estou arrasada, pois me preparei o ano todo. Estudei, fiz cursinho. Meu pai não acreditou quando disse que não consegui entrar", contou.
Problema semelhante foi enfrentado pela estudante Bruna Nakamura, 17. "Eu trouxe uma cópia do RG, autenticada em cartório, e achei que fossem aceitar. O intuito era só testar meus conhecimentos, pois a universidade onde pretendo estudar não aceita a nota do Enem. Eles têm o vestibular próprio para quem quer conquistar uma bolsa", comentou.
Expectativa 
Entre aqueles que não enfrentaram nenhum transtorno, o sentimento era de tranquilidade e expectativa. Às 12h30, o microempresário Ian Siqueira, 19, aproveitava os minutos antes do início do teste para conversar com amigos, em frente à Escola Estadual Doutor Deodato Wertheimer, na Vila Mogilar. "Essa é a segunda vez que faço o Enem e estou tranquilo. Pretendo cursar Direito, mas ainda não decidi em qual universidade", informou.
Já para a recepcionista Cassia Ellen de Souza, 18, o desafio era controlar a ansiedade: "É a primeira vez que faço a prova. Estudei bastante, mas estou muito nervosa. Isso representa a chance de conseguir realizar meu sonho de cursar Medicina".