Era dia de eleição, o fazendeiro chamou o capataz e entregou o envelope fechado com as cédulas dos candidatos escolhidos, e disse: "Entrega isso aqui lá na casa do João para ele votar". "Sim, senhor,'seu' coronel!". O João, ao receber o envelope, perguntou espantado: "Uai! O envelope tá fechado, como é que vou saber em quem que eu vou votar?". O capataz respondeu com ar de deboche: "Você é burro mesmo, João! Você não sabe que o voto é secreto, homem? Não se pode abrir o envelope, tem que ser colocado fechadinho na urna!".
Nessa época do "voto de cabresto", era eu ainda criança em companhia do meu pai, lembro-me estar num grande cercado fechado com finos troncos de madeira, onde muita gente reunida em torno de um apetitoso churrasco regado por cerveja, oferecido pelo partido ou pelos candidatos, era instruída como votar, colocando o tal envelope fechado no bolso ou na bolsa de cada pessoa.
Dali os eleitores assessorados por instrutores, cuja função era mais de olheiros, pagos pela agremiação partidária, eram levados ao local da votação. Nos tempos atuais, por esse Brasil afora, muitos candidatos numa estreia de corrupção, mesmo antes de serem eleitos, usam da estratégia imoral da compra de votos. Neste domingo, em torno de 140 milhões de eleitores brasileiros estarão pressionando na urna eletrônica as teclas dos seus candidatos.
É uma difícil tarefa entender o comportamento de escolha do eleitor quando ele efetua o seu voto. Esse poder de decisão pode estar embaralhado por opções que causam uma verdadeira batalha mental até que chegue à convicção final da escolha. Há aqueles que votam sendo fiéis ao partido. Outros, em suas razões, escolhem quem acham ser mais capaz de administrar a cidade. Também temos os que procuram obter a folha corrida do candidato, esses mais sujeitos a mudar de opinião conforme a boataria. Pense na crise e dê seu voto àqueles que desejam continuar o progresso da cidade.