A Prefeitura de Mogi das Cruzes atribuiu ao Governo Federal a responsabilidade da não utilização do ônibus do programa "Crack, é Possível Vencer" em ações ligadas ao combate ao tráfico de drogas no município. O problema chegou a ser denunciado ao Ministério Público (MP).
O veículo em questão foi recebido em 2014, em parceria com o governo federal, para apoiar o policiamento ostensivo e de proximidade nas áreas de concentração de uso de drogas. A estrutura é equipada com quatro câmeras de monitoramento fixas e uma móvel.
Em documento protocolado no Ministério Público (MP), o ativista Mario Berti Filho criticou a não utilização do veículo para tal finalidade. "Segundo informações, este ônibus saiu da base da guarda municipal pouquíssimas vezes para ficar no Parque Centenário e na entrada da Festa do Divino, além de desfiles cívicos. Para o município ser contemplado com esses equipamentos, o Governo Federal precisou apresentar pontos críticos com índices de tráfico de drogas, porém, nestas localidades este ônibus sequer passou perto", disse.
Berti destacou ainda que o uso adequado da ferramenta seria benéfico para os munícipes. "O ônibus seria de grande valia se fosse usado para sua real finalidade. Hoje o grande vilão da sociedade, que faz a criminalidade aumentar, sem dúvidas, são as drogas, e esse equipamento, que deveria estar nas ruas para ajudar no combate e prevenção ao tráfico de entorpecentes, está parado sem motivos aparentes".
Resposta
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Segurança destacou que o automotor não está abandonado. "Ele está sob a responsabilidade da Guarda Municipal, inclusive passando por todas as revisões necessárias. O mesmo está sendo utilizado em ações que independem da utilização da câmera", explicou.
Já em relação ao "Crack, é possível vencer", a Secretaria Municipal de Segurança informou que o uso ainda não é possível devido à falta de um equipamento necessário, que deve ser enviado pelo Governo Federal. "A Secretaria esclarece que encontra-se em contato com os responsáveis para a resolução do problema", concluiu.
O Ministério da Justiça foi procurado pela reportagem, mas não se posicionou até o fechamento dessa edição.