Com o anúncio de que a Petrobras reduziu em suas refinarias o preço da gasolina (em 3,2%) e do diesel (em 2,7%), desde a meia-noite deste sábado - devido a uma nova política aprovada pela empresa -, a expectativa é que o desconto seja repassado ao bolso dos motoristas, gerando, desta forma, maior economia. Os donos e gerentes de autopostos da região, no entanto, ainda não sabem de que maneira isto irá se refletir nas bombas, visto que ainda aguardam receber as novas remessas para saber se já irão comprar os combustíveis mais baratos. Outro problema que emperra uma queda significativa nos preços, segundo eles, é que o etanol está muito caro e muda de valor todos os dias, devido ao período de entressafra, praticamente obrigando-os a mudar o preço do álcool nas bombas e até da gasolina, que leva uma porcentagem entre 25% e 27% de etanol, com frequência.
"Não tenho ideia de como irá ficar o preço final do produto para o consumidor, porque o anúncio foi feito hoje (ontem) e ainda não sabemos quanto vamos pagar para as distribuidoras. Mas, do jeito que o preço está volátil no mercado, com custo alterado quase todo dia por causa do etanol, é possível que essa redução acabe diluída e nem seja percebida", opinou Donato Yuji Kano, proprietário do autoposto Amigão, em Mogi das Cruzes.
Kano lembrou que a redução de preço esperada é de cinco centavos no geral e que, apesar de pequena, seria bem-vinda. Mas ele ressalta que será preciso aguardar até segunda-feira para ver se as refinarias repassarão a queda para as distribuidoras e se estas, por sua vez, comercializarão os combustíveis mais baratos aos postos, para que estes possam repassar o desconto aos clientes.
Norberto Zardi, dono do autoposto Vovô Raphael, também em Mogi, compartilha da mesma opinião. Para ele, o negócio é esperar até a semana que vem. "Quero ver primeiro o valor que vão cobrar e se a distribuidora irá nos repassar essa redução. Não sei ainda até que ponto isso representará real economia, porque o álcool, por conta da entressafra, muda todo dia de preço e como a gasolina tem uma porcentagem de etanol, também acaba impactada", reforçou.
Zardi exemplificou que há menos de um mês pagou R$ 1,85 no preço do litro do álcool. Esses dias, o valor já estava em R$ 2,20. "O diesel, que eu não comercializo, pode ser que realmente sofra uma redução, mas o álcool e a gasolina precisamos aguardar para ver como vai ficar", comentou.
Em Suzano, o gerente Devair de Brito, que trabalha no autoposto Gran Suzano, também afirmou que vai depender do preço que a distribuidora fizer. "Aqui o pessoal enche bastante o tanque e qualquer redução deve ajudar. Como o etanol continua subindo, quem tem carro flex pode optar mais ainda pela gasolina. Mas teremos que esperar a semana que vem", destacou.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) afirmou ontem que a queda nos preços da gasolina e do diesel deve ser menor que R$ 0,05 por litro nas bombas dos postos no Estado de São Paulo.