O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Mogi das Cruzes e Região (SIPOCIMC), Waldir Fernandes da Silva, criticou o déficit de policiais nas delegacias da região do Alto Tietê. Segundo ele, o problema não é uma exclusividade local, uma vez que vem se agravando ao longo dos anos em todo o Estado.
Embora não tenha conseguido precisar em níveis percentuais a defasagem regional, Silva destacou que há muito tempo o número de profissionais não é suficiente para atender a demanda, muito embora os atuantes se comprometam em sempre prestar o melhor atendimento. "Há 15 anos atrás o número de pessoal no Estado girava em torno de 42 mil. Hoje o efetivo é de cerca de R$ 28 mil. Nesse período a população aumentou, assim como o trabalho, enquanto o número de funcionários diminuiu", disse o presidente do Sindicato.
Segundo o presidente essa redução significativa do quadro de funcionários impacta na rotina das delegacias. "Com isso, há um caos. As prefeituras emprestam pessoal ou são contratados estagiários, mas obviamente que estes não estão tão capacitados quanto aqueles que deveriam preencher as vagas. Além disso, há a questão dos policiais em fase de aposentadoria. Quando é feito o pedido, ele consta no efetivo até que a permissão seja publicada, no entanto fica afastado", comentou.
Para ele o problema poderá ser amenizado apenas com novas contratações. "Em 2013 foi realizado um concurso, mas os aprovados não foram chamados até agora. A alegação do governador é a falta de recursos por conta da crise", concluiu.
Questionada pela reportagem sobre a previsão de reposição do efetivo no Alto Tietê, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) se limitou a dizer que "o governo de São Paulo tem investido na contratação de policiais civis para a região. Desde 2011, foram incorporados 67 agentes à instituição para atuar nas cidades locais. Em todo o Estado, foram contratados 3.650 novos profissionais", informou.
Reclamação
Um funcionário que com medo de represálias preferiu não se identificar, reclamou da falta de auxiliares de limpeza nas delegacias da região. Segundo ele, por conta dessa ausência os próprios policiais estão encarregados de fazerem o serviço.
Sobre essa questão a pasta estadual esclareceu que "não há policiais desempenhando serviços de faxina". "O processo de contratação de empresa para realização da limpeza das delegacias do município está em fase final. Enquanto isso, a Prefeitura de Mogi das Cruzes cedeu equipes para todas as Unidades Policiais do Município. Não há alteração da rotina desses serviços nas outras cidades ligadas à Seccional", concluiu. (S.L.)