Se depender do histórico do treinador Jorge Guerra, o Guerrinha, a torcida do Mogi das Cruzes/Helbor pode continuar acreditando que o título estadual, depois de 20 anos, está muito próximo de retornar à cidade. Com 57 anos, o renomado treinador chegou ao comando da equipe mogiana nesta temporada e tem tudo a seu favor para levantar o caneco. O Mogi tem a melhor campanha no Campeonato Paulista e pode sacramentar a conquista do Estadual amanhã, no ginásio Hugo Ramos, contra seu ex-clube, o Bauru, onde já é ídolo há muito tempo. Colecionador de títulos, o jogador Guerrinha, na posição de armador, já conquistou cinco vezes o Paulista, além de título nacional, em 1990/1991, pelo Franca, sua cidade natal, entre outros. Como jogador da seleção brasileira, esteve na histórica conquista do Pan-Americano de 1987, quando venceu o time norte-americano em Indianápolis, além de outros títulos em pan e sul americanos. Treinando clubes, fez de Bauru a sua casa: foi vice-campeão sul americano em 2001, campeão paulista no mesmo ano, e brasileiro, no ano seguinte. Agora, como treinador do Mogi, Guerrinha falou ao Mogi News sobre sua expectativa para esta final de Estadual, seu método de trabalho e pretensões para a sequência da temporada.
MN: Qual a expectativa para esse jogo decisivo contra o Bauru, amanhã, valendo o título paulista?
Guerrinha: Pra o torcedor é um jogo que pode dar ao Mogi o título depois de 20 anos. Mas a equipe vai encarar de forma racional, pois se trata de um jogo importante, assim como todos que realizamos na competição.
MN: Mogi é o favorito ao título, pela melhor campanha que fez na primeira fase e nos playoffs até aqui. Como administrar esse favoritismo nesse momento de decisão?
Guerrinha: Eu não encaro isso como favoritismo. O Bauru esteve com o seu time completo só a partir do segundo turno. Talvez se estivesse com o elenco todo à disposição desde o começo, poderia ter terminado em primeiro lugar, na nossa frente.
MN: Qual vem sendo o diferencial da sua equipe?
Guerrinha: A sequencia de trabalho, um pouco do meu jeito de trabalhara, além da vinda do Caio (pivô) que também foi muito importante. Demos mais funções a todos os jogadores e tiramos um pouco de individualismo que alguns tinham no time. Com a minha experiência e a de todo o grupo, estamos tentando chegar ao ideal.
MN: Você imaginava que logo em sua chegada o time estaria disputando uma final?
Guerrinha: Sim. Mogi é uma equipe que no ano passado ficou em segundo lugar no Campeonato Paulista e terceiro no Brasileiro. Tem potencial para brigar pelos títulos.
MN: Quais foram as principais mudanças que você impôs desde sua chegada?
Guerrinha: Principalmente a maneira de jogar. Taticamente é um time mais rápido, menos cadenciado, como era com o Paco (García, treinado espanhol que comandou o Mogi antes de sua chegada). Os espanhóis jogam para não errar. No meu jeito brasileiro, o time joga para acertar e, por isso, arrisca mais.
MN: Você aproveitou alguma coisa utilizada pelo ex-treinador, Danilo Padovani, que assumiu logo depois da saída de Paco?
Guerrinha: Sim, o Padovani havia colocado algumas situações de jogo que pude aproveitar. Entretanto, houveram muitas mudanças. Cada treinador tem a sua característica. O que acontece é que algumas táticas se encaixam mais do que de outras.
MN: Qual a importância da permanência de Padovani na comissão técnica, como seu auxiliar?
Guerrinha: É um ex-atleta, é da cidade e trabalhou junto com esse grupo como assistente e técnico. É legal ter pessoas desse tipo trabalhando conosco.
MN: Como a diretoria conseguiu andar na contramão da crise econômica nacional e manter o elenco forte nesta temporada?
Guerrinha: Tivemos que tirar alguns jogadores que ganhavam em dólar, outros transformaram o pagamento em real. A maioria dos jogadores pediu para reduzir o salário, pois desejava continuar na equipe. Eles (jogadores) entenderam que lá fora também está difícil, então era um momento de todos darem a sua parcela de contribuição para continuar a fazer parte do elenco.
MN: A torcida mogiana sempre foi muito participativa. Isso ajuda o time?
Guerrinha: Acho que ajuda e atrapalha. Quando o time está jogando bem, é claro que ajuda, mas quando não está em seus melhores dias, a ansiedade e expectativa atrapalham. Aqui na cidade a torcida apoia muito e sempre está lotando nosso ginásio, é uma energia muito boa. O torcedor funciona muito em função do que o time faz dentro de quadra, e não o contrário.
MN: O que esperar da sequência da Sul Americana?
Guerrinha: Teremos um grupo duro pela frente e precisamos ver como o Mogi irá reagir após ganhar ou perder esse título amanhã.
MN: Há expectativa de reforços ou dispensas para o Novo Basquete Brasil (NBB)?
Guerrinha: Claro que podem chegar reforços para o NBB, assim como pode acontecer de jogadores pedirem para sair. Tudo pode acontecer.
MN: Ter um treinador com o seu histórico vencedor, que conhece como poucos o basquete nacional e que defendeu a camisa da seleção em competições importantes, foi determinante para o Mogi chegar a esta final?
Guerrinha: O Mogi poderia ganhar ou perder com o Padovani no comando ou comigo. É difícil dizer. O que posso garantir hoje é que o Mogi é uma equipe competitiva nas Américas, que pode ganhar os títulos nas competições que participa, mas também têm outros times que estão no mesmo nível, ou até, um pouco acima do nosso.
* Texto sob supervisão do editor.