O primeiro dia de atendimento nos bancos após o fim da greve foi marcado por filas em todas as agências bancárias de Mogi das Cruzes. Muitos mogianos aproveitaram que as unidades voltaram a funcionar para pagar contas e resolver problemas. Os bancos ficaram paralisados por 31 dias, a maior greve desde 2004.
O acordo entre os bancários e os bancos foi realizado na noite de quinta-feira durante assembleia. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Mogi das Cruzes, responsável por Mogi, Suzano, Poá, Biritiba Mirim e Salesópolis, os bancos privados e o Banco do Brasil aceitaram a proposta. Apenas a Caixa Econômica Federal (CEF) rejeitou o acordo apresentado pela Federação Nacional do Bancos (Fenaban). Uma reunião realizada ontem tentava resolver o impasse.
A avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, conhecida como avenida dos Bancos, estava agitada na manhã de ontem. Em algumas agências, as filas de clientes começavam nas calçadas. A pensionista Miriam Menezes, de 57 anos, foi uma das pessoas que buscou atendimento nas primeiras horas após a greve. "O fim da greve ajuda muito. A paralisação trouxe vários transtornos. Vou ter que pagar algumas contas com juros, pois as agências estavam fechadas. Como não sei mexer no caixa eletrônico, pago as contas apenas no caixa", disse.
A costureira Maria Helena Tavares, 66, foi com o marido pagar as contas. "Meu marido recebe aposentadoria e sempre retiramos o dinheiro no caixa para quitar as contas. É mais seguro do que pegar os valores nos caixas eletrônicos. Acho uma reivindicação justa dos bancários, pois existem muitos salários defasados, principalmente dos aposentados", avaliou.
O pedreiro Manoel Julio, 71, aproveitou para quitar as dívidas pendentes. "Não terei que pagar juros, pois todas as contas estão no prazo. O que me surpreendeu foi a fila, não esperava que o banco estivesse tão cheio", afirmou.
A paralisação chegou ao fim depois que a Fenaban ofereceu reajuste salarial de 8%, abono salarial de R$ 3,5 mil, além de aumento de 10% no vale refeição e 15% no vale alimentação. O acordo também prevê reajuste de 1% mais a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para 2017.