Moradores do Cocuera, em Mogi das Cruzes, reivindicam uma solução por parte da Prefeitura para o problema da destinação do esgoto doméstico. Como a área não conta com rede de esgoto, as residências utilizam fossas e, quando os reservatórios atingem o limite, não há um local para destinar os dejetos.
De acordo com o líder comunitário do Cocuera, Ronaldo Leme da Silva, de 49 anos, que reside na Estrada Fujitaro Nagao, o transtorno ocorre há 18 anos, mas até o momento nenhuma providência foi adotada. "Antes, quando as fossas ficavam cheias, a Prefeitura mandava um caminhão retirar o esgoto. Mas, desde 1998, eles não fazem mais isso. Já reclamei várias vezes para o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) e disseram qu, por conta da legislação, não podem atuar aqui, pois essa área não tem rede", disse.
Segundo Silva, a principal preocupação é com o meio ambiente e com os riscos de contaminação do solo. "O Cocuera é uma área de manancial e também de produção agrícola, não há como ter rede de esgoto aqui. Então, a meu ver, o poder público devia dar mais atenção para essa situação. A maioria das pessoas faz uma nova fossa sempre que a antiga lota. Daqui a pouco não vai mais ter onde fazer outro buraco", alertou.
O representante destacou ainda que a situação impacta também a vida financeira das pessoas. "Alguns moradores, assim como eu, mantém fossa séptica. Então, quando ela enche, a gente precisa chamar uma empresa para esvaziá-la. Isso custa em torno de R$ 500 a R$ 800. Estamos em uma área rural, não temos condições de fazer isso", reclamou.
Resposta
De acordo com o diretor superintendente do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), Dirceu Lorena de Meira, a autarquia não realiza a limpeza das fossas em função de seu regimento interno.
"O Semae não presta esse tipo de serviço em locais onde não há rede de água. Além disso, por se tratar de uma área de manancial, a implantação dessas fossas precisa ser fiscalizada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), para verificar se os moradores estão fazendo isso da forma correta a fim de evitar futuras contaminações", explicou o responsável.