O casal de idosos canadenses Anita e Wolfram Gottschalk emocionou o mundo em setembro. Circulou na Internet uma foto em que eles apareciam se despedindo antes de serem internados em casas de repouso diferentes, por falta de vagas numa mesma clínica. Uma intervenção divina mudou o curso da história. "Eles agora podem ficar sob o mesmo teto nos anos que lhes restam e não poderíamos estar mais gratos", escreveu a neta Ashley Bartyik, ao postar imagens do casal juntinho - e feliz - outra vez.
Uma das maiores conquistas culturais de um povo e prova da sua evolução social é garantir o envelhecimento com qualidade de vida. Enquanto prefeito de Mogi das Cruzes (2001 a 2008), contei com o apoio da Câmara para implantar políticas públicas pioneiras em prol da terceira idade. Instalamos o Conselho Municipal do Idoso e, na sequência, desencadeamos uma bateria de ações. De programas de medicina preventiva até o Promeg (Programa de Medicamento Gratuito), passando por consultas médicas domiciliares. No rol das ações para terceira idade, destaco o inédito Pró-Hiper.
Mais tarde, enquanto deputado federal, tive a satisfação de apresentar projetos em prol da terceira idade. Para ilustrar, cito a proposta de aumentar para pelo menos 5% a cota de moradias dos programas habitacionais populares reservada a quem tem mais de 65 anos. Ou outra que isenta da entrega da declaração de Imposto de Renda quem tem mais de 70 anos, sobrevive só com proventos da aposentadoria e possui baixo patrimônio. Ou aquela que obriga o poder público a garantir às pessoas com 60 anos de idade ou mais o direito de acesso às universidades abertas.
A população idosa chega a 12,3%, com a expectativa de 30% em 2050. No mundo, serão 2,06 bilhões de idosos. Cuidar do idoso não significa tolhê-lo de sua individualidade e autonomia nem fazê-lo crer que deixou de ser útil. Cuidar é amar. É preciso mantê-lo longe da solidão, porque ela é mortal. Possamos, nós também, trabalhar por um final feliz dos nossos veteranos, inspirados no casal canadense.