Grávida de aproximadamente 41 semanas e com o marido desempregado, Andressa Leidiane Aparecida Marques, de 26 anos, era mais uma das mulheres grávidas ontem, às portas da Santa Casa de Suzano, cidade onde reside, em busca de atendimento. Moradora da Cidade Edson, ela foi abordada pela equipe de reportagem do Dat, por volta das 11 horas, ao lado do marido David William da Silva, 24. Quando foi interpelada pelo repórter fotográfico Daniel Carvalho, Andressa ainda não sabia que a maternidade da Santa Casa estava fechada, conforme anunciado oficialmente anteontem. "Vou entrar lá e tentar passar com o médico", antecipou ao fotógrafo.
Menos de três minutos depois, ela, que está com perda de líquido conforme informou à reportagem, há cerca de duas semanas, retornou, desapontada. "Me disseram que não tem ginecologista", lamentou.
Diante da situação e preocupada por estar no final da gestação, Andressa resolveu ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Enquanto aguardava a viatura, por telefone, ela explicou: "Já tive perda do 'tampão', passei ontem na Santa Casa de Mogi, porque aqui em Suzano sempre dizem que não tem médico, aí lá fizeram ultrassom, onde detectaram que estou com 41 semanas, mas disseram que não podiam me internar porque está superlotado", comentou. "Então, hoje voltei ao posto de saúde e me mandaram vir para a Santa Casa de Suzano. Chegando aqui, não tem médico de novo e me mandam procurar o Hospital Santa Marcelina de Itaim Paulista. E eu mesma tive que ligar para o Samu".
Poucos minutos depois de conceder a entrevista por telefone, ao lado do fotógrafo, ela disse que tinha que entrar novamente na Santa Casa, porque o Samu informou que o hospital teria lhes comunicado que ela seria atendida na unidade suzanense.
A Prefeitura de Suzano, ao ser consultada, confirma que a paciente "foi acolhida na Santa Casa, passou pela avaliação da equipe médica e, constatada a necessidade de cuidados mais específicos, a mesma foi levada por ambulância da rede municipal para o Hospital Santa Marcelina do Itaim Paulista".
A Secretaria de Saúde do município esclareceu ainda que "durante inspeção técnica da Vigilância Sanitária Municipal constatou-se número de médicos ginecologistas insuficiente atendendo na Maternidade da Santa Casa. Por essa razão e visando preservar o bem-estar das futuras mamães e recém-nascidos, o órgão fechou cautelarmente o espaço".
Ocorre que, horas depois, quando o Dat entrou em contato novamente com Andressa, esta informou que havia realmente ido de ambulância da Prefeitura de Suzano para o Hospital Santa Marcelina, mas que, naquele momento, por volta de 18 horas, retornava para casa, pois a equipe médica da unidade da zona leste estimou que ela estivesse de 40 semanas e que não era o momento adequado para o parto, mesmo com a carta da Santa Casa de Suzano com pedido de internação e cesárea. "Também me disseram para procurar o hospital de Ferraz, que era mais próximo do meu município, caso necessário, porque ainda não estava na hora da minha filha nascer", afirmou.
Resposta
Procurada, a Secretaria de Estado da Saúde esclareceu que não houve nenhum direcionamento para a paciente, para que ela procurasse hospital de Ferraz de Vasconcelos para o parto, e que o Hospital Santa Marcelina tem toda a estrutura necessária para atender as gestantes que vierem de Suzano.
"O que houve é que ela reclamou para a médica que passava por dificuldades financeiras e que não podia ficar indo e voltando para Itaim. Isso porque foi constatado que ela está grávida de 40 semanas e que está tudo ok com o bebê. Portanto, a internação só deve ser feita na 41ª semana e, diante da dificuldade dela, o que aconteceu é que houve uma sugestão que, se a Prefeitura de Suzano não lhe fornecer o transporte, que ela tem como alternativa procurar Ferraz se não conseguir vir até Itaim", pontuou a assessoria da pasta, por telefone.
Enquanto aguarda a hora do parto, Andressa voltará ao posto de saúde hoje. "Só espero que corra tudo bem".