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A mortalidade por suicídio cresceu 30% no Alto Tietê de 2001 a 2014, segundo o boletim SP Demográfico, da Fundação Seade, divulgado ontem.
No biênio, foram 5,5 suicídios por 100 mil habitantes 2001/2002, quando nos dois anos anteriores (2012-2013), o índice era de 4,3 suicídios por 100 mil habitantes.
Em outras regiões do estado, como Marília e Ribeirão Preto, a situação é mais grave, com taxas de mortalidade por suicídio superiores a 7,5 óbitos por 100 mil habitantes.
O estudo é em decorrência do Dia de Prevenção ao Suicídio, marcado para amanhã, 10 de setembro.
A tendência de aumento, além do crescimento do suicídio, também ocorre "pela melhoria na classificação das causas externas de morte", segundo o boletim.
Uma parceria com a Secretaria de Segurança Pública permitiu o acesso às informações dos boletins de ocorrência constantes no Infocrim.
Para o especialista em segurança pública e privada, Jorge Lordello, tal crescimento de mortes provocadas pela própria vítima, nos últimos anos, é "preocupante" e estaria ligado à crise econômica e depressão. "A crise econômica e, por consequência, o desemprego, atingiu todos os níveis de classe econômica do nosso País e lidar com isso tem sido algo de muita dificuldade, para muita gente. E o emocional abalado, chegando à depressão, é um fator catalisador", comenta.
De acordo com os dados, a maior parte das mortes na região é majoritariamente de homens: 80%. E, destes, 72,3% estavam na faixa etária entre 15 e 64 anos de idade. A morte por sufocação/enforcamento aparece em primeiro lugar, tanto para homens (66,3%), quanto para mulheres (43,1%).
"As mulheres de um modo geral, segundo estudos e literatura especializada, têm menor dependência de álcool, maior religiosidade, percepção mais precoce de sinais de risco para depressão e doença mental. Uma decepção amorosa, conflitos de relacionamento são o que mais originam casos de suicídio pelas mulheres. Nem sempre elas têm intenção de morrer quando cometem um ato de violência contra si próprias. Algumas mulheres, principalmente as jovens, recorrem a remédios, venenos, para cometer um ato que possa ser reversível, apenas para chamar a atenção", comenta o especialista.
Ele completou: "Por outro lado, elas costumam buscar ajuda com psicólogos com maior frequência, em momentos de crise, e participam mais ativamente de redes de apoio social".
Já os homens, na avaliação do especialista em segurança, são predispostos ao suicídio por conta da competitividade, impulsividade, maior acesso a armas, maior sensibilidade às instabilidades econômicas, como desemprego e empobrecimento.
Na avaliação do especialista, a reversão deste quadro só deve acontecer a partir de campanhas de conscientização pela busca de um psicólogo e investimentos em saúde mental.
"Osuicida não comete o ato da noite para o dia. Ele dá sinais, segue quatro etapas: ideia suicida, pensamento, planejamento e execução. Algo que leva, no mínimo, alguns dias ou semanas. Por isso, tem que estar atento e fazer com que a pessoa busque ajuda profissional", conclui Lordello.