A Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos entrará com ações contra as instituições bancárias que teriam autorizado o ex-prefeito Jorge Abissamra (PSB) a sacar mais de R$ 50 milhões em cheques na "boca do caixa". A administração municipal também quer reaver a quantia que, segundo o secretário de Governo, Gilberto Abi Chedid, faz muita falta para uma cidade carente como Ferraz.
Segundo o resultado da auditoria da ALS Consultoria contratada pela prefeitura, até mesmo cheques cruzados eram sacados em agências de Ferraz, transação bancária que não é permitida em situação normal. No total, mais de R$ 50 milhões foram retirados dos cofres municipais. O caso é investigado pela Polícia Civil e também pelo Ministério Público.
"O resultado dessa auditoria foi apresentado para todos os órgãos competentes e para a polícia. Queremos saber como essas transações aconteceram, quem está envolvido nisso, quem são os responsáveis e exigir que eles devolvam esse montante, que hoje faz muita falta no governo", explicou o secretário.
Segundo ele, ao que tudo indica, houve a conivência de funcionários das agências bancárias para que os saques fossem realizados. "Uma administração não trabalha com cheque sem ser cruzado e um banco não autoriza descontar um cheque cruzado na boca do caixa, por isso todas as partes envolvidas precisam ser investigadas", completou.
Chedid ressaltou ainda que o governo do prefeito em exercício, José Izidro Neto (PMDB), aguardará toda a investigação do MP e da Polícia Civil para tomar outras medidas cabíveis em relação ao caso. "Queremos saber se as empresas informadas nos cheques, que receberiam essas quantias, são partícipes do desvio ou vítimas também. Tudo isso precisa ser explicado".
O chefe da pasta completou que Ferraz sofre com falta de recursos. "Qualquer quantia faz falta para uma cidade como a nossa, que está entre as cem mais pobres do Estado e do Brasil. Não podemos aceitar que o dinheiro público seja desviado, é preciso punir aqueles que participaram disso".