Conviver com dores e dificuldade de locomoção virou rotina para a diarista Rosângela Santos de Sena, de 43 anos. Desde maio de 2015 ela está na fila de espera por uma cirurgia no Hospital Santa Marcelina, de Itaquaquecetuba, para a retirada de três pedras na vesícula. O Estado disponibiliza o serviço gratuito, porém, o paciente costuma ter que aguardar até três anos, ou mais, para ser beneficiado.
Enquanto Rosângela não passa pela cirurgia, ela sofre com fortes dores e teve até que se afastar do trabalho por sentir dificuldades para realizar movimentos simples. "Eu não aguento mais. Estou vivendo à base de remédios. Quando procuro o hospital, me dão medicamentos na veia para aguentar as dores. É um descaso", relatou. "Uma funcionária chegou a dizer que tem pacientes aguardando há três anos. Eu não vou conseguir esperar mais".
A diarista está fazendo acompanhamento pelas redes de saúde do município. "Minha médica já deu dois encaminhamentos. O último foi com um pedido de urgência", lembrou. Um dos médicos que a atendeu alertou sobre o risco de morte e explicou que a vesícula pode estourar a qualquer momento, de acordo com a paciente.
Rosângela contou que os problemas surgiram no início do ano passado, quando começou a sentir dores. Então se submeteu a alguns exames e o primeiro encaminhamento para a cirurgia ocorreu em maio. Desde então ela aguarda para ser atendida. "Eu não sei para onde recorrer. A cirurgia daria uma despesa de R$ 12 mil e eu não tenho condições de arcar com os custos em um hospital particular", afirmou. "Eu trabalho com faxina e tive que me afastar. Preciso voltar a trabalhar, mas não consigo. Ando me arrastando por conta dos incômodos, até a minha barriga inchou".
Resposta
Após contato da reportagem, o Hospital Santa Marcelina informou, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, que a consulta com a cirurgia geral de Rosângela está agendada para a próxima quarta-feira, dia 21. Na ocasião, a paciente deverá apresentar os exames já realizados e prosseguir com as etapas de pré-operatório.
O hospital também ressaltou que Rosângela passou por consulta com o cirurgião da unidade pela última vez no dia 23 de novembro de 2015. "Após essa data, não consta sequer passagem dela pelo pronto-socorro da unidade", informou a nota.