Casos de morte de recém-nascidos por negligência não são novidades quando se trata do atendimento prestado na Santa Casa de Misericórdia de Suzano. O hospital já foi alvo de diversas denúncias e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) moveu diversas ações civis públicas contra a irmandade. Inclusive, em 2011, a Vigilância Sanitária interditou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal por conta da quantidade de óbitos ocorridos.
Ontem, o Grupo Mogi News publicou o caso da auxiliar de enfermagem Natali Amaral Martins, de 27 anos. A gestante entrou em trabalho de parto no hospital, mas esperou mais de dez horas para o bebê nascer, já que o médico abandonou o plantão. As enfermeiras tiveram que iniciar o procedimento sem a presença do especialista. Devido a demora, o bebê ficou sem oxigênio e morreu. "O médico que auxiliou na retirada do meu filho não soube nem dizer se o bebê já nasceu morto. Ele disse que não sabe se ouviu os batimentos cardíacos, ou se era o respirador artificial", relatou o pai da criança, Luiz Cláudio de Oliveira, 27.
No ano passado, a babá Patrícia da Silva, 25, também passou por uma situação semelhante na unidade. Ela procurou o hospital para dar a luz a uma menina, mas esperou quase dez horas para receber atendimento. A bebê também não resistiu e entrou em óbito.
Assim como a família de Natali, Patrícia também registrou Boletim de Ocorrência e entrou com um processo judicial contra a Santa Casa. "Fiquei horas sem acompanhamento de nenhum médico. Senti dores o dia inteiro e sofri vários desmaios. A bolsa chegou a estourar e as enfermeiras nem se deram ao trabalho de acionar o médico para fazer o parto", lembrou. O caso também foi noticiado pelo Dat, em setembro de 2015.
A Santa Casa já registrou dezenas de mortes de recém-nascidos em maio de 2011 e foi responsável por grande parte da mortalidade infantil durante esse período.
O delegado Fabrício Intelizano informou que a Polícia Civil investiga dezenas de denúncias relacionadas a negligência no atendimento. "Nesta semana, eu tomei conhecimento de outro fato e já instaurei dois inquéritos para apurar mortes de crianças, em decorrência do atendimento inadequado na Santa Casa", revelou. "Temos casos de mortes de gestantes, ocorrências em que a mãe faleceu e a criança sobreviveu e outras situações".