A Câmara de Suzano aprovou ontem, por unanimidade, em sessão extraordinária, o Decreto Legislativo 12/2016, referente ao parecer técnico desfavorável do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) em relação às contas da prefeitura no exercício de 2012, quando o prefeito era Marcelo Candido (sem partido). Esta é a oitava rejeição sofrida pelo ex-petista, ou seja, ele tem seus dois mandatos com todos os anos reprovados.
Não estiveram presentes na sessão apenas Abigail Maria do Carmo (PR) e Walmir Pinto (PDT), que era secretário de Cultura de Candido e um dos seus principais defensores.
Durante a leitura das 13 páginas do relatório da Comissão Permanente de Finanças e Orçamento, foram citadas diversas irregularidades apontadas pelo TCE em relação ao exercício financeiro de 2012.
Um dos pontos de maior destaque refere-se ao déficit de R$ 40.964.834,54 no Orçamento, o que, segundo o documento, ocasionou o aumento do endividamento do município.
Tal fato foi ressaltado pelo presidente da Casa de Leis, Denis Claudio da Silva (DEM). "O ex-prefeito foi irresponsável no seu último ano de governo, dando sumiço a mais de R$ 40 milhões, que ninguém sabe para onde foi. Isso tem que ser averiguado", disse.
Segundo o parlamentar, o Decreto Legislativo será publicado hoje e um ofício será enviado ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral. "Faremos o encaminhamento para que acionem o ex-prefeito e ele fale o que foi feito com esse dinheiro. A cidade está precisando de tanta coisa e sumir essa quantia não é normal. Ele teve todas as oportunidades de fazer a sua defesa", disse.
Durante a sessão, alguns vereadores fizeram uso da Tribuna para justificar seus votos. Na ocasião, ressaltaram não concordar com o fato de o ex-vice prefeito Walter Roberto Bio (PMDB) ser penalizado da mesma forma que o ex-prefeito.
"O ex-vice-prefeito não tinha como influenciar nas decisões da administração. Se ele tem alguma culpa, é muito pequena", destacou o vereador Vanderli Ferreira Dourado (PT), o Derli do PT.
Já Said Raful (PSD) descreveu as atitudes de Candido como "uma tremenda falta de respeito". "A cada conta rejeitada, em vez de procurar corrigir os erros, seguiu no caminho inverso, de forma que essa última mostra o total desrespeito com as leis, com a cidade e com as pessoas que o elegeram", comentou.
Tanto Candido quanto Bio não compareceram à sessão, nem mesmo enviaram representantes para suas defesas.