Quem sabe, nos mais indignos botequins, conversas como essas, ao fim da madrugada, quando o teor etílico dos frequentadores já esteja alto, sejam vistas como passáveis.
O palavreado chulo, no entanto, mais uma vez, aconteceu em casa que deveria se dar ao máximo respeito em razão da majestade que, se supõe, desfruta, além da representatividade que traz em si: O Senado da República.
Se é verdade que na exaltação, com os freios inibitórios destravados, o homem se mostra em sua inteireza, os debatedores - que não destoam em nada de seus pares -, demonstraram ser donos de sofríveis caracteres; notabilizaram-se pelo baixo nível do diálogo, e pela explícita má-educação.
Espelharam o momento atual da política brasileira, onde a falta de argumentos, que leva ao infame espetáculo retratado, tem se tornado constante; em que, despreparados para o mister que exercem, insistem em desrespeitar os lares honrados daqueles que os elegem, e aos quais tiveram acesso pelos meios de comunicações.
Não se dão conta, mais que isso, que o instante pelo qual passa a nação, e que depende de decisão a ser tomada pelos congressistas, além de preocupante, é histórico.
Esquecem-se que, por força constitucional, mais que representantes dos Estados no Legislativo Federal, envergam a toga, e com isso, se aos parlamentares, bandalheiras e cafajestices são "admitidas" como "normais" pelo grosso da população, do juiz - ainda que, nos casos de julgamentos políticos, em que se clamar por imparcialidade seria inútil - espera ela, acima de tudo, compostura, comedimento e serenidade.
Portanto, mesmo que assim se portem no seu dia a dia; mesmo que a grosseria seja fruto ou dos ensinamentos de berço, ou da arrogância desmedida dos "poderosos das carteirinhas e carteiradas"; apelando à mendacidade com a qual aprenderam a conviver faz tempo, deveriam vestir, ao menos por um instante, a máscara da perfeição.
Bandoleiros dos tempos modernos!