O silêncio imposto aos inconformados parece que está se tornando praxe no País.
Até há pouco, a menos que me engane, as passeatas contra o governo não só contavam com a complacência dos diversos gestores estaduais como também eram exaltadas pela maioria deles.
Os grupos opositores de então - os que agora se empoleiram no Poder - faziam proselitismo das marchas, e se dispunham a delas participar.
Hodiernamente, quando se repete o ato, depara-se com a borracha no lombo, com o gás nos olhos, com a dor da impotência n'alma.
Quais feras soltas, milicianos se põem à caça pouco se importando com o sexo ou idade daqueles que abatem.
Aliás, basta erguer cartaz para que se torne de imediato persona non grata, daquelas que, nos moldes da cancerosa ditadura que nos oprimiu, merecem ser sindicadas por nefastos ideais, conforme escrevíamos no artigo anteior.
Aliás, repito, basta erguer cartaz, para que o mérito reconhecido por tantos seja atirado ao rés, que a obra em vias de se consagrar, seja relegada à mais profunda vala. Ou não foi o que aconteceu com Aquarius?
Elogiadíssimo no exigente Festival de Cannes, o filme tinha tudo para brilhar, não fosse um pequeno senão: os artistas nacionais, em terras francesas, resolveram externar ponto de vista político e empunharam escritos de "Fora Temer".
Foi o que bastou! Tornou-se abominável! De um instante para o outro, o que era arte pura, restou desdenhado pela fanática escumilha palaciana.
Mas não ficou nisso!
Vingança patente, a fita foi desqualificada, e para representar o Brasil na disputa pelo Oscar, optou-se por dramazinho qualquer: "O Pequeno Segredo", exacerbador da saga da família de navegadores Schurmann.
Os obscuros e nefastos chefetes que mandam no Ministério de Educação e Cultura devem estar se regozijando pelo atentado cometido, vangloriando-se ao Mestre pela pirraça de criança.
Eu, que já passei por tantas, temo que em pouco tempo esteja lendo, novamente, receitas de bolos nos jornais!
E ainda acenam com um novo tempo!