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As obras de ampliação da represa Taiaçupeba, em Suzano, preocupam os moradores do entorno. Isso porque o reservatório vai se elevar em até quatro metros, deixando submersa parte da estrada do Duchen, que é uma das vias de acesso dos produtores rurais e de quem vive na região da Vila Ipelândia, no distrito de Palmeiras.
Outra preocupação é o trajeto das crianças até a escola. Hoje, elas levam cerca de dez minutos para chegarem à unidade de ensino do bairro. Com o alagamento da estrada, a viagem pode chegar a 30 minutos, segundo Dulcinéia Aparecida dos Santos Silva, de 50 anos. "Meu filho tem diabetes e, às vezes, a escola me liga pedindo para eu buscá-lo, quando ele se sente mal. Se fecharem a estrada vai ficar complicado. Imagina em caso de urgência", contou. "Além da escola ficar longe, os clientes terão dificuldade para chegar aqui", lembrou.
Para ter acesso ao bairro, os moradores disseram que terão de prolongar o trajeto pela estrada Keita Harada, onde também há problemas de alagamentos em dias de chuva. "O percurso até minha casa é de três quilômetros e, com a interdição, vai se estender para oito", destacou o poceiro Mário César Roberto, 60.
O produtor rural Odair José Pereira, 56, também apontou a distância do acesso como principal desafio. "O caminho que eu faço em cinco minutos terá que ser feito em meia-hora, porque vou ter que fazer uma volta pela estrada Keita Harada".
O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) informou que os moradores já têm uma alternativa de acesso ao bairro por meio da antiga estrada do Tijuco Preto, construída pela autarquia na década de 1970.
Sobre o alagamento, o DAEE esclareceu que a estrada do Duchen está construída dentro da área de inundação da represa "e será alagada sempre que se registrarem altos índices de chuva na região". O órgão também destacou que o local deve ser alagado, definitivamente, quando ocorrer o enchimento completo do reservatório.
Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o serviço de limpeza da área ainda está em execução, com conclusão prevista para o início do ano que vem. Após o término da obra, a represa passará a ter capacidade de, aproximadamente, 85 milhões de metros cúbicos, elevando o volume do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) em cerca de 15%.
"A ampliação da área já estava prevista desde a concepção das represas do Spat, no início da década de 1970. A companhia esclarece ainda que as famílias do entorno não devem se preocupar, pois todos os imóveis que estavam dentro da área de alagamento já foram realocados", informou a Sabesp, por meio de nota.