Por muito tempo a figura paterna esteve atrelada exclusivamente ao trabalho e ao sustento da família. Mas, com o passar do tempo, isso vem mudando. Aos poucos os pais estão ficando cada vez mais presentes na vida dos filhos, desempenhando funções que antes eram atribuídas apenas às mães.
Participar das reuniões escolares, levá-los ao parque e às festas, acompanhá-los nas atividades esportivas e até mesmo nas consultas médicas. Ações corriqueiras e que para muitos são consideradas obrigações das mulheres, mas não para o técnico mecânico Edson José da Silva, de 44 anos, que decidiu fazer desses momentos a oportunidade de estar mais próximo do enteado Gabriel, 18, e do filho Murilo, de 9 anos.
Segundo ele, a iniciativa teve como base a sua própria infância. Isso porque devido à rotina corrida do pai, que precisava trabalhar dia e noite para garantir o sustento da casa, o técnico teve poucas oportunidades de estarem juntos. "Ele não podia me dar tanta atenção, pois tinha que trabalhar. É algo que me fez falta e eu queria que com meus filhos fosse diferente. Quando me casei, o Gabriel tinha 5 anos e, desde então, sempre procurei estar por perto, até para dividir a tarefa com a minha esposa. Quando o Murilo nasceu isso se intensificou ainda mais. O mesmo tratamento é válido para os dois. Com a diferença que agora o Gabriel já não é mais criança e possui mais independência", contou.
Para ele, dedicar mais tempo aos meninos não é apenas um dever, mas sim uma forma de prepará-los para a vida adulta. "Hoje em dia as crianças só querem saber de eletrônicos e games e quase não saem de casa. Eu procuro incentivá-los a fazer atividades ao ar livre e terem contato com outras pessoas e realidades. A vida é muito cruel, então é preciso que eles conheçam o mundo e aprendam a lidar com as diferenças, caso contrário, irão sofrer mais tarde. E mais do que dizer o que tem que ser feito, eu acho que é preciso acompanhá-los nisso", disse.
Silva destaca ainda que o fato de ser participativo é benéfico não apenas para as crianças, mas principalmente para ele mesmo. "Eu acho extremamente prazeroso e não vejo isso como uma obrigação. Não há preço que pague o fato de poder ver a alegria deles e o sorriso sincero por estarem brincando no parque e fazendo algo que gostam. Muitos pais acham que a vida gira em torno de coisas materiais, quando na verdade para a criança é muito mais importante que o pai pegue uma bola e passe alguns minutos com ele do que ganhar um brinquedo caro. Eu tenho condições de comprar, mas procuro passar a eles essa questão mais humana", concluiu.