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Desde que foi implantada em Suzano, em outubro de 2014, a Patrulha Maria da Penha já atendeu 501 mulheres vítimas de violência doméstica. Durante o período foram realizadas 16.653 visitas e 17 prisões em flagrante.
A iniciativa, executada pela Guarda Civil Municipal, tem por objetivo garantir o cumprimento de medidas protetivas expedidas pelo Poder Judiciário e, consequentemente, a efetividade da Lei Maria da Penha, que completou 10 anos este mês.
Na prática, sempre que uma decisão é deferida pela Justiça, uma cópia do documento é encaminhada para a coordenadoria do programa. A partir disso, a equipe de GCMs entra em contato com a vítima e agenda uma visita na qual é realizada uma entrevista para obter informações sobre sua história de vida.
Assim que aceita o atendimento, a mulher passa a receber visitas da patrulha diariamente em sua residência e demais locais que compõem sua rotina tais como trabalho, escola dos filhos, academia, curso, entre outros. Além disso, a assistida tem acesso a um número de emergência restrito por meio do qual pode acionar a viatura sempre que preciso.
De acordo com o comandante da GCM de Suzano, Sérgio de Assis, ação vai muito além do que apenas garantir a segurança dessas mulheres. "A gente trabalha muito para conseguir resgatar a dignidade da vítima. Tem mulheres que nos primeiros acompanhamentos possui uma autoestima inexistente, está totalmente depressiva. Nós trabalhamos muito a parte social, de encaminhar ela para uma capacitação, para o mercado de trabalho e tenha a independência que não tinha", comentou.
Assis ressaltou ainda a importância da parceria com os demais órgãos assistências, para que o projeto surta o efeito esperado. "Ninguém faz nada sozinho. Nós temos ligação direta com o Judiciário, com as casas de acolhimento e demais serviços sociais. Um depende do outro para tudo dar certo", explicou.
Para a coordenadora do programa, Rosemary Ferreira Caxito, a efetividade das ações pode ser vislumbrada com base nos números. "Em 2014 eram 34 mulheres, em 2015 foram 286. Isso não quer dizer que a violência doméstica aumentou na cidade, mas sim que as vítimas estão se sentindo mais encorajadas para denunciarem, pois sabem que terão esse respaldo", comentou.
Segundo ela, o grande diferencial do trabalho está na forma de ouvir. "A gente acaba entrando na intimidade delas. Procuramos entender a história, ser uma espécie consolo. Ao buscar ajuda, elas estão muito fragilizadas, então nosso dever não é julgar, mas sim auxiliar e para isso é preciso manter uma postura mais humana. Infelizmente isso não costuma acontecer nas delegacias. Por isso, muitas sentem vergonha de ir até lá denunciar", concluiu Rosemary.
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