A Olimpíada no Rio de Janeiro se foi e muita gente que fez questão de acompanhar tudo o que podia pela televisão, pela Internet ou mesmo pessoalmente já está sentindo falta da rotina diária. Por outro lado, teremos ainda a Paralimpíada, a partir de 7 de setembro, que utilizará os mesmos locais de competições e de estadia. Infelizmente, é menos glamourosa e para a qual as atenções de grande parte da população e da mídia tendem a ser menores, haja vista os preços de ingressos que é possível encontrar, a partir de R$ 10.
Não deveria ser assim. A Cerimônia de Encerramento no domingo criou a sensação de que tudo chegou ao fim, quando na verdade um imenso evento que ocorrerá durante dez dias está prestes a começar. Seria uma demonstração de respeito com todos os participantes se o mesmo clima dos Jogos continuasse. Não poderia ser tratado como algo à parte.
Se a Olimpíada representa a superação de limites de atletas, a Paralimpíada é a superação da superação de pessoas que poderiam desistir da vida por causa de suas deficiências e que resolveram se dedicar ao Esporte como forma de encontrar uma nova razão em suas existências e de servir de exemplo para tantos outros em situações semelhantes. Só por isso já merece o respeito de todos.
Claro que haverá uma cerimônia específica, com um novo mascote (sai Vinícius, entra Tom), do jeito como o evento merece. No entanto, unir os Jogos Olímpicos e Paralímpicos seria uma maneira de reforçar a necessidade de se celebrar a diversidade e de deixar claro que mesmo um paratleta pode ser um ícone, um herói esportivo.
Enquanto a Paralimpíada não começa, muitos já analisam o resultado da Olimpíada no Rio. Não há dúvida que muitos pessimistas, brasileiros e estrangeiros, ficaram "desapontados" com o que se viu. Não se esperava algo melhor, mas sim pior. A organização olímpica de todas as competições foi evidente e digna de elogio. E a desorganização local se resumiu, pelo menos o que veio à tona até agora, em placas indicando direção errada, filas para se comprar comida e água, ônibus atrasado, etc. Não houve zika vírus, nem terrorismo, nem prisão, apesar da morte de um soldado da Força Nacional, pedradas em ônibus de jornalistas e da farsa criada por nadadores norte-americanos.
Resta saber como será paga a conta, em torno de
R$ 40 bilhões. O tão anunciado legado vai dar às caras em breve, positivo ou negativo, sobre as consequências que foram deixadas e como o Brasil se comportará daqui para frente. E se algo estiver faltando, quem sabe a Paralimpíada não arremate agora. Tomara.