Cerca de 100 moradores da região conhecida como área dos chacareiros, em Jundiapeba, realizaram na manhã de ontem uma manifestação em frente à sede da Prefeitura de Mogi. O objetivo do protesto foi chamar atenção para o problema de moradia enfrentado há mais de 30 anos por famílias residentes no local, bem como cobrar providências por parte do poder público.
De acordo com o advogado de representação do grupo, Carlos Alberto Zambotto, desde que as áreas ocupadas pelos chacareiros foram regularizadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 2014, os riscos para que os demais moradores do local sejam despejados se intensificou. A área em questão pertence à mineradora Itaquareia e processos de desapropriação tramitam na Justiça.
"Temos aqui moradores da Vila Barreiro, Chácara Santo Ângelo, Vila Vitória e Conjunto Santo Ângelo. Estamos lutando há mais de 30 anos para solucionar essa questão, mas depois que os chacareiros tiveram o problema resolvido, essas pessoas ficaram sozinhas. A nossa intenção com a manifestação é chamar atenção dos mogianos para esta situação", disse.
Acompanhados por um carro de som, o grupo saiu do Mogilar, sede do escritório do advogado, e se dirigiu até o paço municipal. Durante todo o percurso, a manifestação ocorreu pacificamente e não houve impacto no trânsito.
Os manifestantes permaneceram em frente ao prédio do poder Executivo por pouco mais de uma hora. Durante todo o período solicitaram uma reunião com o prefeito ou um de seus representantes para que pudessem ser ouvidos.
Segundo Zambotto, o intuito de procurar a administração municipal foi o de cobrar explicações, uma vez que há alguns meses, o prefeito Marco Bertaiolli (PSD) teria comunicado que um projeto de regularização das terras seria elaborado em parceria com a Itaquareia. "Houve uma proposta da prefeitura em apresentar um projeto de regularização, mas até agora nada. Estamos às vésperas das eleições municipais e não sabemos quais são as prioridades e os projetos para estas mais de 1,5 mil famílias", disse.
Entre os manifestantes está o desempregado Manoel do Livramento Leme, de 53 anos, que há 12, reside naquela região. "Eu me pergunto se um cidadão pobre e de bem não tem direito de sonhar. Se eu como pai não posso querer que meus filhos tenham uma vida diferente da que eu levo. Eu me sinto humilhado por ser desempregado, mesmo tendo uma profissão, e não poder realizar as vontades da minha família. E agora ainda tenho que conviver diariamente com o medo de ser despejado. Eu não posso colocar uma parede em casa, porque não sei se amanhã vai chegar alguém para derrubar tudo o que construí ", lamentou.