No dia 15 de agosto, por volta das 18:45, próximo ao marco zero de Mogi das Cruzes, na Rodovia Pedro Eroles (Mogi-Dutra), sentido centro, nos deparamos com o Tenente coronel Jean Leite e seu motorista, Cabo Maqdiel, prestando auxílio a ocupantes de um veículo que estava tombado no canteiro central da pista. Havia um trânsito intenso e os riscos de um novo acidente.
Como sempre fazíamos, paramos e acertamos, eu e o Braga, detalhes sobre como minimizar os riscos, vindo esse a descer no contrafluxo, atravessar a pista e ir em direção ao local onde se encontrava o Soldado do Bombeiro, sendo tais movimentos acompanhados por mim.
Ao voltar os olhares para o local onde se encontrava o Tenente Coronel Jean, notei a aproximação de uma pessoa trajando vestes semelhantes a de um policial, tendo, pendurado em seu pescoço, um distintivo metálico. Ao invés de cumprimentos, um fuzil apontado em minha direção e as palavras "Põe a sua arma no chão senão eu atiro!!!", sendo tal frase pronunciada repetidas vezes.
Gritarias ocorriam do outro lado da pista onde o Soldado Braga e o policial do bombeiro se encontravam. Haviam sido surpreendidos por cerca de quatro criminosos, igualmente armados com fuzis e com os mesmos trajes, sendo postos deitados sobre o solo.
Uma tempestade de pensamentos passavam pela minha mente em fração de segundos. Os motoristas dos veículos, parados na rodovia, ao longe, não entendiam o que estava ocorrendo. Para aqueles que conseguiam visualizar uma viatura da PM, uma do Corpo de Bombeiros e um veículo tombado acreditavam, talvez, que estaria havendo um procedimento de socorro, o que não era o caso. Tratava-se de ação de criminosos contra policiais.
Como fazer com que tal fato pudesse chegar ao conhecimento do Centro de Comunicação da Policia Militar (Copom) e, dessa forma, conseguir apoio de forças policiais?
Ao colocar minha arma no chão, a uma distância de 3,5 metros, aproximadamente, de onde se encontrava o criminoso que apontava o fuzil em minha direção, fui me afastando de costas e, sem que o criminoso percebesse, pois esse passou a ter sua atenção desviada com gritaria do outro lado da pista, numa distância que entendi segura, me virei e passei a correr sentido a um matagal existente no canteiro central, momento em que um dos criminosos, que mantinham imobilizados os policiais do outro lado da pista, passou a efetuar disparos em minha direção. Durante o percurso, após três quedas, consegui atingir o matagal no canteiro central, próximo de onde estavam os veículos parados.
Já fora da visão dos criminosos e ouvindo a rajada de disparos (essas, segundo relatos, efetuados para o alto), usando do meu aparelho celular, tentei ligar para o 190, contudo, sem êxito, pois meu aparelho não apresentava sinais. Foi ai, então, que passei a percorrer os veículos parados e pedir, aos que possuíam sinais em seus aparelhos, que ligassem para 190 e solicitassem apoio policial. Fui prontamente atendido e as mobilizações policiais se iniciaram.
Quero externar meus mais sinceros e profundos agradecimentos aos cidadãos motoristas, que, atendendo ao meu pedido, utilizando-se da única arma que tinham em mãos, seus aparelhos celulares, acionaram o 190 e proporcionaram o necessário apoio que salvou nossas vidas. São eles, caro amigos, OS HERÓIS DA POLÍCIA!