A partir do próximo ano Mogi das Cruzes poderá contar com o serviço de "Acolhimento em República". Trata-se do oferecimento de apoio, proteção e moradia subsidiada a jovens com idades entre 18 e 21 anos que tenham se desligado de serviços de acolhimento institucional (como a Casa da Criança, por exemplo) em função da maioridade, mas que ainda sim se encontram em situação de vulnerabilidade e sem condições de se auto-sustentar.
De acordo com a secretária municipal de Assistência Social, Eliana Mangini, a possibilidade da cidade de Mogi das Cruzes oferecer o serviço já no ano que vem é estudada e sua efetivação dependerá da constatação da necessidade de uma demanda já existente. "A república está dentro do escopo de serviços certificados e é prevista. Mas, ela só é implantada na medida em que há necessidade, ou seja, se houver público suficiente para isso. Ao todo, o município conta com sete unidades de acolhimento institucional, então, antes de mais nada, é preciso fazer o levantamento das faixas-etárias e suas atuais situações, para ver o que se vislumbra e então decidir em instalar o serviço ou não", disse.
Segundo Eliana, a principal diferença de uma unidade de acolhimento comum para a república, além da faixa etária, é o fato do acolhido ter uma maior autonomia. "Na Casa da Criança, por exemplo, há cuidadores que ficam com essas crianças o tempo inteiro. Em uma república, não. É feito o subsídio para que se pague as despesas básicas dos adolescentes, mas as regras de convivência são promovidas pelos próprios moradores. Há uma retaguarda da parte técnica à distância, mas eles passam a viver sozinhos para que possam desenvolver essa independência pouco a pouco e em grupo", explicou.
Ainda segundo ela, a possibilidade de implantação do serviço se deve ao fato de que, nos últimos anos, as casas acolhedoras existentes no município estão recebendo um maior número de adolescentes do que o normal. Dessa forma, muitos, ao completarem 18 anos, não possuem vínculos familiares e sentem dificuldade de se integrarem à sociedade sem assistência. "É uma estratégia para garantir um tempo maior para a organização desses jovens que passam a fazer parte da sociedade. De uma forma geral, os filhos estão saindo cada vez mais tarde de casa para criar independência. Temos uma população de 18 anos que não está trabalhando e nem estudando. Se antes, com essa idade eles já estavam no mercado de trabalho, hoje demora um pouco mais e tudo isso influencia na necessidade de se criar um novo serviço", concluiu.