O governo do Estado, por meio da Secretaria da Habitação, deu início ontem ao processo licitatório, de concessão administrativa em processo de Parceria Público Privada (PPP), dos 2,7 milhões de metros quadrados da Fazenda Albor, localizada na divisa dos municípios de Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba. O local, que fica às margens do trecho Leste do Rodoanel, e que até agosto do ano passado era ocupado irregularmente por pouco mais de 350 famílias, será entregue por meio de concessão à iniciativa privada. O edital de abertura da consulta pública, para a construção e urbanização, foi aberto ontem, conforme anunciou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) durante visita a Poá para solenidade de entrega da estação ferroviária da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
De acordo com a publicação do Diário Oficial, empresas interessadas em investir na região, com administração e implantação de moradias e mercados populares, além de infraestrutura urbana e prestação de serviços já podem manifestar interesse e apresentar sugestões até o dia 14 de outubro deste ano, por meio do e-mail:
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A expectativa é para que sejam implantadas 11.130 unidades habitacionais, além de comércio e até indústrias. "É a segunda PPP habitacional do Estado de São Paulo, que está sendo projetada em um terreno de 2,7 milhões de metros quadrados da CDHU. Uma verdadeira cidade, pela extensão de área e também de serviços, já que serão construídos para 1.190 apartamentos, comércio numa área de 110 mil m² , cerca de 300 mil m² para indústria e empresas de logística além de 500 mil m² de área verde. Enfim, será uma nova região para construção de casa própria, emprego e comércio, destinados às famílias moradoras de áreas de risco, assentamentos e beneficiárias do auxílio-moradia de Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba" afirmou.
Histórico
A área da Fazenda Albor que pertence à CDHU desde 1994 - onde já haviam sido iniciadas as obras do Arujá C1, da CDHU, - é alvo de disputa judicial há anos, pois tinha sido parcialmente invadida no ano passado. O imbróglio chegou ao fim em 3 de agosto do ano passado, após reintegração de posse, quando finalmente foi possível começar o processo da instauração da PPP Fazenda Albor.
Dias depois, em 14 de agosto, o governo do Estado iniciou um chamamento público para convocar a iniciativa privada para participar dos estudos para o projeto do empreendimento para atender aproximadamente 40 mil moradores. Dessas, 70% foram destinadas para interesse social, ou seja, para famílias com renda mensal de até cinco salários, e 30% o para o mercado popular, destinadas a famílias com renda mensal a partir de cinco salários.
No total, 11 empresas se inscreveram e oito foram habilitadas. Ao final, dois consórcios tiveram seus estudos e projetos aprovados: MRV Engenharia e Participações S.A / Andrade Gutierrez e Construtoras Tenda e Alphaville Urbanismo S.A.
Assim como a PPP do centro de São Paulo, a ideia é que o projeto na Fazenda Albor incentive o uso misto do terreno, combinando moradias com espaços comerciais, serviços, equipamentos públicos - como escolas, postos de saúde e centros comunitários - e, neste caso, até mesmo áreas de indústria leve e galpões, aproveitando a proximidade do Aeroporto de Cumbica. "Nessa PPP, toda a infraestrutura terá que ser construída, por isso o cronograma de entrega é mais longo do que o dos projetos do centro", finalizou Alckmin