Em agosto de 2015, Nayara Fernandes era só apreensão e preocupação com a filha, Giovana. Na época, com 3 anos, a menina, vítima de uma hipomelanose de Ito, doença rara caracterizada por manchas na pele e anomalias no sistema nervoso, sofria ainda de retardo de desenvolvimento e expressão.
"A Giovana, apesar de ser muito risonha, não caminhava e dificilmente conseguia falar. Algo que não era comum para crianças da idade dela. Isso era preocupante, porque fazia com que ela ficasse ainda mais dependente de nós, familiares, e tivesse pouca sociabilidade. Ela não teria uma vida normal ", relembra Nayara.
O cenário desesperador da mãe mudou quando Giovana foi matriculada, no início deste ano, na Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (Apae). "Em apenas seis meses a Giovana já apresentou grande melhora de desenvolvimento cerebral; consegue interagir e já dá alguns passos", ressalta Natália.
E o quadro da menina pode evoluir ainda mais. Isso porque ela está entre os novos alunos da entidade, que sob recomendação médica, darão início ao tratamento à base de equoterapia. Ontem, completaram 13 anos de implantação do serviço no Centro de Convivência da Apae/Mogi.
De acordo com o presidente da entidade, João Montes, cerca de 120 pessoas realizam tratamento com cavalos na unidade, sendo que em sua maioria, têm avanços no tratamento logo nos primeiros meses de atividade, que é aplicada por intermédio de programas terapêuticos individualizados, com auxílio de um cavalo. Cada sessão, segundo o presidente da Apae, dura em média uma hora e meia.
"Não existe receita de bolo. A gente pode atender a vários pacientes com a mesma síndrome, com um ganho totalmente diferente um do outro. Mas, no geral, na parte da fisioterapia existem os ganhos na coordenação, no equilíbrio e na autoestima. Às vezes o paciente chega aqui e não consegue fazer coisa alguma e, com o tempo, só de se sentar no cavalo, que é um animal grande e forte, já causa um bem estar enorme para ele", conta.
Maria Isabel Spandoni, 60 anos, conta que o filho, Rodrigo Spandoni, 24 anos, que sofre de Síndrome de Down, obteve melhora no quadro de tratamento em apenas algumas semanas. "De uma hora para outra, talvez por conta da diabetes, o Rodrigo ficou mais calado, triste, retraído e com problemas de postura. O médico da Apae recomendou equoterapia e, após algumas aulas de convivio com a Portira (uma das éguas utilizadas no tratamento), ele voltou a ser o mesmo Rodrigo alegre de sempre. A equoterapia funciona e promove mudanças".