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Aos 27 anos, E.E.A vive um dilema: denunciar às autoridades as agressões, que incluem socos, pontapés e xingamentos, sofridas diariamente por parte do marido ou calar-se e evitar o máximo possível de contato e assim garantir a "harmonia" em sua casa, possibilitando que o filho de três anos cresça no convívio com o pai e a mãe.
Embora tenha ouvido diversas vezes do marido alguns pedidos de desculpas, "que isso não aconteceria", a jovem tem ciência de que o silêncio só alimenta o agressor, tornando o convívio ainda mais difícil. "Já pedi o divórcio porque a situação está insustentável, mas ele diz que vai se matar. Tenho medo, não por ele, mas por meu filho que pode crescer sem pai. Isso sem contar na dor de consciência. Não sei o que fazer".
Casos como esse são cada vez mais comuns nas delegacias do país. A diferença, dependendo do local que ela irá procurar, pode ser o atendimento. "Se for numa delegacia comum, de plantão, aos fins de semana, que é quando ocorrem as agressões, sou discriminada, humilhada. São homens que sequer querem registrar boletim de ocorrência e ainda tiram sarro. É uma outra agressão", confidencia a jovem, que na última semana chegou à Delegacia da Defesa da Mulher em Suzano.
No espaço, que no próximo dia 10 completa um ano de atividades, E.E.A fez o boletim de ocorrência e ainda conseguiu atenção e orientação de advogadas e psicólogas sobre seus direitos, em grande maioria contidos na Lei Maria da Penha.
Segundo levantamento da Delegacia da Defesa da Mulher de Suzano, ao longo de 12 meses foram realizados 2.594 atendimentos. Destes, 1.504 somente nos primeiros sete meses deste ano. Para a delegada titular Silmara Marcelino, os números representam uma "maior consciência das mulheres de seus direito e a busca por Justiça". "Essas mais de 2 mil mulheres que atendemos ao longo dos últimos anos são, na verdade, de pessoas que tomaram coragem e decidiram mudar suas vidas e dizerem não à violência", afirma a delegada.
Para ela, um ano de atividades da DDM é motivo para comemorar, mas também para refletir. "A Delegacia de Defesa da Mulher trouxe muitos avanços, mas ainda há muito o que fazer. Poder garantir à mulher e seus filhos o cumprimento da medida protetiva, e outros serviços de assistência psicológica, é algo que precisa ser aprimorado. Entretanto mais importante que assistir às vítimas é evitar a agressão, investir em políticas públicas que identifiquem a causa de tanta violência por parte dos homens. Mais que remediar, precisamos também prevenir", sintetiza a delegada, responsável por uma equipe de três escrivães, dois carcereiros e um investigador.
Conforme os dados da DDM de Suzano, durante o ano de 2016 foram registrados 715 boletins de ocorrência, 519 inquéritos e expedidas 270 medidas protetivas.
Dentre as agressões consideradas mais recorrentes, neste período na cidade, estão 267 lesões corporal dolosas, 314 ameaças e 30 estupros.
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