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Após mais de um ano de espera e depois de a reportagem entrar em contato com a Prefeitura de Arujá, finalmente o garoto Vinícius Ribeiro Carvalho de Paula, de 11 anos, que mora no Jardim Fazenda Rincão, conseguiu um encaminhamento para passar por um cardiologista em um hospital de referência em outro município. O menino, que tem "sopro inocente", estava impedido de fazer atividades físicas desde o ano passado, enquanto não fosse avaliado por um especialista que o liberasse para praticar os exercícios.
A família da criança havia entregado, em junho de 2015, uma guia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, de São Paulo, no Centro de Saúde (CS) II de Arujá, solicitando uma avaliação cardiológica mais apurada. No entanto, depois de meio ano de espera, os familiares cansaram de aguardar e resolveram fazer uma "vaquinha" entre eles, para poderem pagar uma consulta e exames particulares para Vinícius.
De acordo com a avó dele, a dona de casa Maria Aparecida Ribeiro, 56, o neto já estava se sentindo "excluído" das aulas de Educação Física e pedia para fazer logo o exame, para que pudesse ser liberado pelo cardiologista e levar o atestado médico à escola. "No CS II já tinham me dito que estava difícil especialista em Arujá. Então, juntamos dinheiro e o levamos para uma clínica particular na cidade, onde pagamos R$ 250 a consulta, fora os exames. Lembro que tudo deu R$ 950", detalhou.
Segundo ela, hoje Vinícius pratica exercícios normalmente, desde o começo do ano, quando foram feitos os exames com o médico particular. "Acho um absurdo não ter especialistas, principalmente cardiologistas, na cidade. Completou mais de um ano para chamarem ele e tivemos de pagar consulta particular, que, aliás, se a gente não tivesse ajuntado dinheiro, um pouco de cada um, não daria para fazer", opinou Maria.
Resposta
Questionada sobre o problema, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o paciente passou pela rede e foi encaminhado para o Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo. Na consulta, realizada em 15 de abril de 2015, "ele foi diagnosticado com sopro inocente, consequentemente, não tendo sido liberado para práticas esportivas".
Como em junho o Instituto Dante Pazzanese o encaminhou novamente para a rede municipal de saúde - informando na guia que o acompanhamento deveria ser feito em Unidade Básica de Saúde (UBS) -, ele foi atendido de novo, em 16 de junho, no CS II. Conforme a assessoria de imprensa da Prefeitura, a médica pediatra que o atendeu pediu uma "reavaliação" em serviço de saúde que não fosse o instituto (a única referência em cardiologia infantil do município) e, por conta disso, o pedido estava em espera.
Em meio a esse "jogo de empurra", passaram-se seis meses na fila. Entretanto, anteontem, assim que soube do caso do garoto, a prefeitura enviou nota dizendo que o paciente "já estava com encaminhamento previsto para uma nova consulta com especialista nos próximos dias". A família dele, segundo a administração municipal, será contatada para receber a confirmação da data e todas as orientações necessárias. Mas, para a avó de Vinícius, demorou muito. "Agora não sei se adianta mais esse ano, porque como ele passou em médico particular, já está fazendo as atividades físicas. Se precisar renovar o atestado, acho que agora só ano que vem", concluiu.