Após tantos meses conturbados, o Brasil parece estar devagar voltando aos trilhos. Nessa semana, divulgou-se que, pelo quarto mês consecutivo, a produção industrial nacional cresceu. Em junho, o índice foi positivo em 1,1%, na comparação com maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ainda estamos longe de chegar aos patamares de anos anteriores, mas tudo indica que começamos a sair do fundo do poço. Muita gente desconfia dos indicadores, mas, em minhas andanças por aí, tem sido possível perceber sinais de retomada. É só olhar com um pouco mais de atenção para o dono da padaria, do restaurante, da oficina mecânica, do salão, da pequena indústria. Aos poucos, a confiança começa a permear as conversas dos empresários, de todos os portes.
Um dia desses, conversei com um casal empreendedor, que me disse algo bem interessante: confiança gera confiança. Eles confiaram que tinham encontrado um bom nicho de mercado, planejaram, buscaram capacitação e dedicam-se 24 horas do dia ao negócio. Ao entregar o produto e um serviço a mais - ajudam os clientes a fazer gestão do estoque - geraram uma relação de confiança com seus clientes. Cliente satisfeito é o melhor propagandista, e a carteira cresceu, inclusive extrapolando os limites da cidade sede da empresa. Mais consumidores, mais empregos gerados. E mais confiança em investir. É o clássico exemplo do ciclo virtuoso do desenvolvimento, que queremos ver se espalhar por todo o País.
Por isso, venho insistindo que os governos, em todas as esferas, têm que fazer sua lição de casa. Como o casal empreendedor que encontrou o equilíbrio ao gerenciar seu fluxo de caixa diariamente - e leva seus clientes a adotar o mesmo procedimento - o setor público tem que apertar o cinto, reduzir desperdícios, e trabalhar diuturnamente para minimizar um déficit que, hoje, chega a
R$ 170 bilhões. Ao fazer isto, abrimos o sinal verde da confiança aos investidores nacionais e estrangeiros. Mais investimentos, mais riqueza e divisas geradas. É sabido que a cada acréscimo de um ponto percentual do PIB, gera-se um ponto e meio percentual em tributos.
É assim que se aumenta arrecadação. Não com a lógica reversa de tapar o buraco gerado pela incompetência no gerenciamento das contas públicas e pela corrupção com o aumento de impostos.
Todos nós já entendemos isto. Uma pesquisa recente da Fiesp, realizada junto a 1,2 mil brasileiros, mostrou que 88% acreditam que a melhor opção para reequilibrar o orçamento federal é o corte de gastos. Não é nem criar, nem elevar impostos. E, já que estamos falando em confiança, 84% não acreditam que um novo imposto seja temporário. Como dizer que estão enganados, sendo que somente no primeiro semestre os governos já arrecadaram mais de R$ 1 trilhão?
Está em nossas mãos não só reverter esse quadro, mas manter o Brasil no prumo por muitos anos.