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Marcada por fantasias, brincadeiras e muita pureza, a infância tende a ser a melhor fase da vida de um ser humano. No entanto, fatores como negligência, violência doméstica, maus tratos e vulnerabilidade social podem fazer com que, para algumas pessoas, esse período seja considerado traumático.
Em algumas situações, devido à interferência do Poder Judiciário ou do Conselho Tutelar, estas crianças e adolescentes são encaminhadas para abrigos onde recebem proteção e cuidados essenciais. Para alguns, isso representa a oportunidade de, após o processo de reestruturação, retornar para seu ambiente familiar ou, se for o caso, integrar uma nova família por meio da adoção. Para outros é a chance de se livrar do sofrimento e batalhar por dias melhores ao lado de "irmãos postiços" que partilham da mesma vivência.
É o caso de 30 menores que vivem na Casa da Criança de Mogi das Cruzes. Entre os integrantes da "grande família" há histórias de abuso sexual, agressões frequentes e pobreza extrema. Crianças que, acostumadas com a fome, demonstram surpresa ao saberem que terão mais de uma refeição por dia ou que, devido a traumas e perda de entes queridos, têm dificuldades de se relacionar e passam o dia em silêncio.
No local, os acolhidos com idades entre oito meses e 17 anos, recebem atendimento integral. A rotina, segundo a coordenadora da unidade Regiane Prudente, é a mesma que de uma residência comum, porém, em uma escala maior. "Eles acordam cedo, arrumam o quarto, tomam café, almoçam e jantam. Os que estão em idade escolar vão para a escola, fazem atividades e lição de casa. Eles brincam, assistem TV e vão ao médico. A ideia é que eles tenham o mesmo dia a dia que qualquer criança ou adolescente", explica.
Além do trabalho com os menores, a Secretaria Municipal de Assistência Social presta apoio também às famílias. A ideia é preparar o ambiente familiar para que as crianças possam retornar para casa. Somente quando todas as chances são esgotadas é que são encaminhadas para adoção. Muitas, no entanto, passam anos à espera de um novo lar, outros acabam deixando o abrigo apenas após completarem a maioridade. "Quando se fala em casa de acolhimento, geralmente se tem a ideia de que as crianças vêm para cá e vão para adoção. Muito pelo contrário. Nosso trabalho é voltado justamente para reforçar esse vinculo familiar", explicou.
Desde o ano passado a Casa da Criança conta com uma nova sede localizada na rua Maria Osório do Vale, no Alto do Ipiranga. O espaço tem capacidade para atender até 40 acolhidos. (S.L.)
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