Ao major Felício Kamiyama
Eu estava lá e fiquei de frente a toda situação. Foram momentos de pânico, algo que nunca havia me deparado. A princípio, acreditei que se tratava de um salvamento ao carro capotado, mas quando comecei a ouvir disparos e gritaria, e visualizei o PM correndo, caindo e rolando no chão, me desesperei. A única reação que conseguir ter foi orar e pedir a Deus que guardasse a mim, aos policiais e a todos que ali estavam. Vi perfeitamente quando os bandidos estavam abrindo o porta malas da viatura, colocando os armamentos dentro e fugindo dando tiros para o alto. Após o tiroteio, vi o senhor no canteiro central, eu estava em um Classic prata, e lhe perguntei o que estava acontecendo, e o senhor me perguntou se eu tinha sinal no celular. Graças a Deus, meu aparelho telefônico, que nunca tem sinal naquela região, pegou e consegui ligar para o 190, e informei o que estava acontecendo. Eu estava muito nervoso, em choque, e as palavras estavam difíceis de sair, mas consegui passar algumas informações. Em seguida, o sinal do celular caiu.
Agora, nós, os motoristas que estavam lá, devemos lhe agradecer pelo seu ato de coragem. Pude ver claramente o momento em que o senhor correu em direção ao mato e os bandidos começaram a efetuar os disparos. Se o senhor tivesse corrido em direção aos carros, sem dúvida que os criminosos teriam alvejado um de nós, mas mesmo correndo risco, o senhor nos preservou e correu em outra direção. Então, não somos nós os heróis, mas sim o senhor, que teve esse ato de bravura. Eu não fiz mais do que minha obrigação de cidadão em ligar para a polícia e informar o que estava acontecendo. O conheço apenas de vista, mas pode ter certeza que já tem mais um grande admirador.
Deus abençoe muito o senhor e sua família. Grande abraço.
Raphael Ferreira