Em dois meses, a Prefeitura de Mogi das Cruzes deve convocar 1.240 famílias que serão beneficiadas pelas unidades do Minha Casa, Minha Vida, na avenida Kaoru Hiramatsu, na Porteira Preta. Esse é o maior conjunto que será entregue pela administração municipal na segunda fase do programa do governo federal. Os apartamentos estão concluídos e agora o processo está na fase de aprovação dos condomínios. A estimativa foi divulgada pelo prefeito Marco Bertaiolli (PSD) durante a reunião com os aprovados para as 300 unidades do Apoema II, no Parque Olímpico.
Apenas nos próximos meses, a prefeitura pretende entregar 1.840 apartamentos do Minha Casa, Minha Vida. As unidades que já foram entregues e as que serão inauguradas somam 5.240 residências. "Até o fim do ano queremos entregar as 1.240 unidades da avenida Kaoru Hiramatsu. Nesse momento estão faltando as definições de registro em cartório da aprovação e homologação do condomínio. É uma etapa burocrática entre a construtora e a Caixa Econômica Federal. Acredito que em mais 60 dias faremos a reunião com as famílias", destacou.
O prefeito esclareceu que o processo para a escolha das famílias que serão beneficiadas pelo empreendimento Apoema II foi realizado de forma minuciosa para contemplar apenas as pessoas que se encaixam nas regras do programa. "No dia 10 será feito o sorteio das unidades para definir em qual apartamento cada família ficará. A Caixa precisa de um tempo para realizar os contratos e gerar as chaves. Temos interesse de que isso seja feito o mais rápido possível", ressaltou.
Durante a reunião, Bertaiolli pediu para que os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida não comercializem os apartamentos. Ele informou que o apartamento do Apoema II está avaliado em R$ 95 mil, mas que as pessoas pagarão R$ 12 mil no final de 10 anos. "Não caiam na tentação", alertou o prefeito.
A secretária municipal de Assuntos Jurídicos, Dalciani Felizardo, disse que não existe um levantamento atualizado sobre a venda de apartamentos do programa, mas informou que em 2013 esse percentual era 20% das unidades entregues. "As pessoas fazem isso por achar que não vai dar em nada, mas isso não é verdade. A Caixa fiscaliza e as pessoas que comercializam entram em um cadastro nacional e nunca mais serão beneficiadas por programas habitacionais", destacou.
Emoção
Para a autônoma Lucineide de Jesus Santos, de 42 anos, o anúncio da aprovação dos beneficiários do Minha Casa, Minha Vida, teve um sabor especial. Ela vende marmitas para sustentar os três filhos. A comida é preparada com alimentos doados por amigos. "Já tinha perdido as esperanças, pois moro de aluguel e não ia conseguir pagar o valor desse mês. No último pagamento tinha pedido dinheiro emprestado para uma amiga e com a minha sogra, mas, mesmo assim, não consegui quitá-lo. Fora o valor do aluguel, tinha os juros do mês passado. Seria despejada no dia 20", lembra.
Ela mora em César de Souza e paga um aluguel de R$ 330, mas com as contas de energia elétrica e água, o valor chega a R$ 550. "Essa será uma herança para meus filhos. Eles darão valor a essa casa, pois viram meu sofrimento nos últimos meses", destacou a autônoma. Lucineide é mãe de dois garotos com idade entre 8 e 10 anos, além de uma menina de 11 anos.