Detentor de centenas de medalhas, além de dezenas de títulos e honrarias como jogador, professor de educação física e também técnico de basquetebol, José Carlos Miller da Silveira, o Tuta, no auge de seus 85 anos, mal consegue conter a ansiedade e entusiasmo para conduzir a Tocha Olímpica pelas ruas de Mogi, no próximo dia 26. Considerado pioneiro na formação de grandes atletas do basquete no município e notoriamente uma das principais referências no que se refere à devoção ao esporte, o professor Tuta (como é respeitosamente chamado pelos grandes craques da modalidade, como o secretário municipal de Esporte e Lazer, Nilo Guimarães), apesar de toda a experiência em grandes decisões e competições, faz contagem regressiva para, segundo ele, "vivenciar uma experiência única, uma das principais homenagens já feitas".
"O basquete, assim como o esporte de um modo geral, é algo que está intrínseco em mim desde os 11 anos, quando era um pré-adolescente, e que segue até hoje, cada vez maior. E poder participar de um momento tão significante e tão glorioso como carregar a Tocha Olímpica é algo inexplicável. Afinal, ter acesso ou participar de um mínimo momento que seja dos Jogos Olímpicos é o sonho de qualquer atleta", comenta Tuta, que deixa comprovado o amor pelo esporte na disciplina que ainda mantém em realizar, diariamente, caminhadas de 60 a 90 minutos. "É por recomendação médica (já fez quatro cirurgias cardíacas), mas também para o meu bem-estar, além de poder fazer bonito no dia da passagem da Tocha por Mogi", emenda, em tom bem-humorado.
Para ele, o convite feito por telefone por membros do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos, no Rio, e pelo pupilo, o secretário Nilo Guimarães, teve como base a sua contribuição ao esporte regional, já que em 1993, como o secretário de Esporte da cidade, iniciou em Mogi "uma nova era" no basquete. Isso porque foi Tuta quem montou o primeiro time profissional da modalidade no município e que, três anos mais tarde, com a mesma base, o elenco conquistou para Mogi o título de campeão paulista - o mais importante da história da modalidade. "Lembro do ginásio lotado e desfile pela cidade no carro dos bombeiros. Mogi começava a se tornar referência no basquete nacional. Depois disso, vieram muitas homenagens, entre elas, a de carregar a Tocha. Tanto reconhecimento e carinho trazem um sentimento indescritível", diz o professor Tuta, que ainda relembra: "O mais perto que já participei dos Jogos Olímpicos foi como torcedor assíduo em várias competições de 1968, no México. Fui prestigiar meu primo, Wladimir Marques, na seleção de basquete, e acabei assistindo a quase todos os jogos".