"Foi homicídio, senhora". É dessa forma usando poucas palavras e mantendo o olhar abaixado que o arujaense Alexandre, de 20 anos, explica o motivo pelo qual está internado há um ano e oito meses na unidade da Fundação Casa de Arujá.
Para ele, no entanto, o único prazo que importa neste momento são os 58 dias que o separam da possibilidade de recomeçar. Isso porque em setembro, deve ser encaminhado ao Judiciário seu pedido de liberdade.
A gravidade da infração cometida jamais será esquecida por ele e, principalmente, para todos os impactados pelo crime. Por outro lado, a legislação vigente, determina que o erro não seja registrado em sua "ficha", o que possibilita ao adolescente uma nova chance. Os planos eles já sabe décor.
"O tempo que passei aqui foi muito bom pra amadurecer, pensar diferente. Quando sair vou abrir meu salão, construir família. Quero trabalhar. Ser alguém", diz ele mencionando o ofício que aprendeu no curso de cabeleireiro. A atividade é aplicada fora da unidade, como benefício pelo bom comportamento.
Se para ele a Educação, foi o "elemento transformador", para Fabrício, de 16 anos, a saudade de casa é o grande incentivo para seguir outros rumos. O itaquaquecetubense está na unidade há sete meses, em função do roubo de um celular.
"Eu só consigo pensar na minha mãe e na minha irmã, que é especial. Quando elas vêm me visitar e vão embora dá um aperto no peito. Um arrependimento", relatou.
Olhando pela grade do dormitório, o menor comemora o fato de conseguir ver um trecho do "mundo externo". "Aqui é o único lugar que dá pra ver a rua", contou. "Quando eu sair, eu vou mudar tudo. Hoje eu penso diferente. Vou arrumar um emprego, fazer algum curso", complementou o interno.