O movimento popular "Aterro Não!", criado em 2002 para impedir a instalação de um aterro sanitário no distrito industrial do Taboão, em Mogi das Cruzes, retomará suas atividades. Desta vez, no entanto, o objetivo é elaborar, com o apoio de algumas entidades representativas, um projeto viável para solucionar o problema da destinação dos resíduos sólidos do município.
O anúncio foi feito na tarde de anteontem, durante reunião realizada na sede da 17ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mogi, órgão que apoiará a causa. Outras entidades, como a regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), também serão convidadas a participar da elaboração da proposta.
De acordo com o vice-presidente da Comissão do Meio Ambiente e presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB, Caio Vano Cogonhesi, trata-se de uma questão de pró-atividade. "A ideia é que aproveitando as próximas eleições, seja elaborado um documento onde seja dada uma solução para a questão dos resíduos sólidos apresentados pela cidade. A cobrança, por si só, não gera resultado algum. Com a sociedade civil participando da vida do município, em conjunto com o Poder Público, acharemos uma solução", disse.
O presidente da Comissão do Meio Ambiente da OAB, José Antônio da Costa, por sua vez, destacou que o objetivo é fazer do lixo uma fonte de recursos. "Mogi realmente é carente de uma solução para o nosso resíduo. Nós continuamos mandando o nosso lixo para outra cidade. A solução par isso, há muito tempo, não é enterrá-lo, porque assim estaríamos enterrando dinheiro. Nós precisamos encontrar uma medida que possibilite a utilização dos resíduos industriais e domésticos como oportunidade de negócio", comentou.
Já o ativista e líder comunitário do Itapeti, Silvio Marques, responsável pela convocação da reunião, destacou a importância do encontro. "Agora a nossa ideia é, não apenas criticar, mas mostrar para os políticos que forem eleitos que dá sim para fazer algo. Apresentaremos uma proposta técnica e didática", concluiu.
Também participaram da discussão o ambientalista José Arraes e o assessor parlamentar Hugo Buani, que na ocasião estava apresentando o deputado estadual Marcos Damásio (PR). Uma nova reunião está programada para o fim deste mês. A data ainda será definida.