Educadoras do Alto Tietê avaliam com bons olhos a decisão das empresas fabricantes de refrigerante Coca-Cola Brasil, Ambev e PepsiCO Brasil, em deixar de vender os produtos às escolas onde a maioria dos estudantes tenham idade igual ou inferior a 12 anos. No entanto, para elas essa conscientização acerca dos hábitos alimentares é algo a ser discutido principalmente entre os familiares.
As empresas anunciaram ontem que, a partir de agosto, deixarão de fornecer refrigerantes para as unidades de ensino deste perfil.
Uma das justificativas para a adoção da medida é o fato da obesidade ser um problema complexo, causado por muitos fatores e "as empresas de bebidas reconhecem seu papel de ser parte da solução". Com isso para estas escolas serão vendidas água mineral, suco com 100% de fruta, água de coco e bebidas lácteas que atendam a critérios nutricionais específicos.
"No momento do recreio, os alunos têm acesso às cantinas escolares sem a orientação e a companhia de pais e responsáveis, e crianças abaixo de 12 anos ainda não têm maturidade suficiente para tomar decisões de consumo", disseram em nota.
Para a diretora pedagógica de uma escola particular de Mogi das Cruzes, Elisete de Oliveira e Souza Frigo, a medida é positiva. "Acho uma decisão bastante saudável, principalmente se considerarmos que o refrigerante não traz nenhum benefício, aliás, muito pelo contrário", disse.
Ela destacou que a educação alimentar não deve ser uma responsabilidade exclusiva das instituições de ensino. "Me preocupa essa proibição como forma de criar um hábito. Ela nem sempre resolve porque para alguns acaba sendo um atrativo. Então quando se trata de educação, a melhor forma é a conscientização. No entanto, para isso, é preciso que haja o apoio da família. Não adianta a escola remover, se os pais os colocam na lancheira dos filhos", comentou.
A mesma opinião é compartilhada por Erika Ashiuchi, educadora e proprietária de uma escola de Suzano. "Já temos essa política de controlar o consumo de refrigerante. Para crianças menores de sete anos, por exemplo, a venda é proibida. Costumamos trabalhar com essa orientação alimentar, principalmente por conta da obesidade. Mas acredito que mais importante do que conscientizar os alunos, é 'educar' os pais. É preciso um trabalho conjunto", comentou.
O incentivo das empresas para que as escolas deixem de comercializar refrigerante foi comemorada pela atendente Juliana Martins, de 37 anos, que possui três filhos em idade escolar. "Em casa eu controlo bastante essa questão do refrigerante e outras bobeiras, como doces e frituras. Mas quando eles estão na escola, eles acabam aproveitando porque não estou por perto. Então ao não ter o produto na cantina eles acabam sendo obrigados a optar por algo mais saudável", destacou.
A Secretaria de Estado da Educação informou que a rede estadual serve merenda escolar, e que preza pela alimentação saudável, ou seja, não serve refrigerante.