A Câmara Municipal criará uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para discutir a implantação de um maternidade na modalidade Parceria Público-Privada (PPP) em Mogi das Cruzes. O grupo será formado na próxima semana e contará com cerca de seis membros. A informação foi divulgada ontem durante a reunião organizada para debater o projeto. Entre as sugestões apresentadas, está a locação do prédio do Hospital Doutor Flávio Isaías, onde funcionava a maternidade do Hospital Ipiranga, no Alto do Ipiranga.
A reunião foi organizada pelo presidente da Comissão Permanente de Saúde do Legislativo, o vereador Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho, o Chico Bezerra (PSB), e reuniu o secretário municipal de Saúde, Marcello Cusatis, o provedor da Santa Casa, Reginaldo Abrão e representantes da Mogi-Mater, única maternidade privada da cidade.
De acordo com Bezerra, a CEV que será criada ajudará a viabilizar a ideia. Ele destacou que se o projeto for retirado do papel, a oferta de vagas vai aumentar cerca de 60%. "A maternidade que era do Hospital Ipiranga tem quase 30 leitos e 14 vagas de UTI Neonatal. É do tamanho da maternidade da Santa Casa e tem mais leitos de UTI. Vamos buscar ajuda do governo do Estado para transformá-la em uma maternidade pública", esclareceu.
Cusatis informou que a unidade poderia atender apenas aos casos de alto risco e que a nova maternidade ajudaria a desafogar a Santa Casa, que hoje realiza 450 partos por mês e sofre com a lotação de leitos, em especial da UTI Neonatal. "É preciso que o Doutor Flávio Isaías queira e a Amil desista de alugar, pois hoje é um hospital parado. Seria algo muito bom para a cidade se pudêssemos fazer um convênio para que o Estado repasse um valor ou administre o serviço. Vamos levar essa sugestão para a Secretaria de Estado da Saúde. Fica mais barato alugar do que construir uma maternidade", destacou.
O provedor da Santa Casa classificou a situação da maternidade do hospital como "crítica" e cobrou investimentos das cidades vizinhas, pois grande parte das gestantes atendidas na unidade são de outros municípios.
O sócio-proprietário do Mogi-Mater, Abdul Hayek, informou que a maternidade realizou 363 partos no mês passado e que o espaço tem capacidade para atender 400 partos por mês. Ele afirmou que o movimento teve uma queda comparado com janeiro. Para o empresário, o principal problema da cidade é a falta de vagas na UTI Neonatal e apoiou a criação de uma maternidade em formato de PPP.