Ao longo de 2015, pelo menos 2.189 casos de violência contra crianças e adolescentes foram registrados em Mogi das Cruzes. Os dados do Sistema Nacional de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan) foram divulgados ontem pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, durante evento realizado no Centro Familiar Maria Medianeira, na Vila União, para celebrar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.
De acordo com o balanço no ano passado foram contabilizados 1.130 casos de violência psicológica, 865 envolvendo violência física, 111 sexual e 83 ocorrências de negligências.
Em relação aos casos de violência sexual 50,45% tiveram como vítimas crianças com idades entre 0 e 11 anos, sendo 56 ao todo. Além disso, 35 incidentes (31,53%) envolvem jovens com idades entre 12 e 18 anos. Outros 20 abusos vitimaram maiores de 19 anos.
A médica Janete Nagasawa Sato, membro do Comitê Municipal de Preservação e Combate às Violências Domésticas, no entanto, destaca que os números apresentados “são subnotificados”. “Não houve nem aumento e nem diminuição das ocorrências em relação ao ano passado. Mas a gente sabe que estes são os números oficiais, que são registrados. Estas são crianças e adolescentes que foram minimamente atendidos, mas há muitos que não falam e sofrem caladas”, destacou.
Durante o evento, foram realizadas apresentações de danças, musicais e entrega de panfletos e gérberas amarelas e laranjas, flor símbolo da campanha de combate à violência.
O intuito da realização, segundo a médica, foi justamente conscientizar a população. “A ideia é divulgar o número do Disque 100, para que as pessoas possam pedir ajuda e fazer uma denúncia, para proteger aquela criança que está sofrendo algum tipo de violência. O denunciante não precisa se identificar e nem ter certeza da situação. Não há necessidade de saber quem é o agressor. O intuito é proteger essa vítima”, concluiu.