Os prédios em situação de abandono e obras inacabadas tomam conta do cenário em muitas ruas de Suzano, inclusive, na região central. Muitas estruturas são antigas e oferecem até risco de acidentes. Alguns casos se tornam tragédias anunciadas, como aconteceu na rua Dr. Felício de Camargo, onde uma forte ventania provocou o desabamento do muro da antiga fábrica Peles Polo Norte, que tinha mais de 50 anos. O acidente, que ocorreu na semana passada, deixou uma vítima fatal.
Muitos desses prédios são propriedades particulares. Um deles é o antigo supermercado Guaió, que está localizado na rua General Francisco Glicério, principal via de circulação do centro, onde há até um ponto de ônibus. O espaço virou abrigo para moradores de rua, segundo informações da vizinhança. Quem passa pelo local não deixa de notar a quantidade de mato e vidros quebrados, sem contar que o prédio também foi alvo de pichações.
"Poderiam usar esse espaço para fazer um estacionamento, porque é tão difícil encontrar uma vaga por aqui", sugeriu o operador de máquinas, Valdeir Mariano, de 50 anos, se referindo ao antigo supermercado. "Precisam pelo menos limpar".
O espaço também foi alvo de várias sugestões da população para que ofereça outra utilidade. "Poderiam construir um abrigo para moradores de rua. Inclusive, já tem três morando lá dentro", contou a auxiliar de limpeza Geralda Rodrigues, 42.
A costureira Laureta Souza Almeida, 74, prefere que o comércio seja retomado no galpão. "Podiam reativar essa área. Melhor do que continuar abandonado", afirmou.
Outro imóvel que não passa despercebido é uma construção na esquina das ruas Glicério e Felício de Camargo. Há mais de 15 anos a edificação está inacabada e abandonada. Da mesma forma, a rua Júlio Alberto Mathei, próximo à esquina com a avenida Antonio Marques Figueira, também abriga um prédio de sete andares que teve a obra iniciada há mais de uma década, mas foi largado.
O imóvel onde ficava a antiga fábrica de peles terminou de ser demolido após o acidente e a área está recebendo serviços de limpeza. Um vigia permanece no local para preservar a área.
A reportagem do Dat entrou em contato com a Prefeitura de Suzano para saber quais providências estão sendo adotadas para conter os riscos nestes pontos, mas a previsão é de que se manifeste hoje sobre o assunto.