A violência sexual já vitimou 70 crianças, em Suzano, apenas no ano passado. No entanto, as estatísticas podem ser ainda mais alarmantes, já que esse é o número de queixas que o Conselho Tutelar recebeu e ainda há muitos casos que não são denunciados. Para conscientizar a população e estimular as denúncias contra esse tipo de crime, uma grande mobilização foi realizada, ontem, em referência ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A cidade recebeu ações culturais na estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), onde também foram distribuídos panfletos sobre a importância da campanha, que chegou em sua quarta edição e termina no dia 31 de maio.
A ação foi realizada por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, o Conselho Tutelar e a Fundação Abrinq. O espaço da CPTM recebeu apresentações culturais de street dance, percussão com crianças e adolescentes, exibição de jiu-jitsu, além de vídeo de orientações sobre o tema e apresentações de arte e dança. 
As denúncias de abusos contra crianças e adolescentes podem ser feitas, de forma anônima, pelo Disque 100, que funciona 24 horas, ou diretamente no Conselho Tutelar, no 4748-5940, das 8 às 17 horas. "Nem possuímos identificador de chamadas para preservar o denunciante", ressaltou a conselheira Sonia Pimenta. "A partir do momento em que recebemos a denúncia, vamos até o local verificar e chamar essas famílias, para saber qual é a violação de direito, verificando também a veracidade da situação".
A conselheira destacou a importância da colaboração das pessoas. "Recebemos, aproximadamente, 70 casos de abuso e exploração sexual, já com Boletim de Ocorrência e até prisão em alguns casos", revelou. "Além disso, existem muitos casos que não são denunciados. Essa é nossa maior dificuldade, que são os números ocultos".
Ela ainda disse que, no período de campanhas, os números de denúncias aumentam. "Estamos em alerta. A campanha é uma luz para a vítima que se vê na oportunidade de sair dessa situação. Ela mesma pode ligar de forma anônima".
Sonia lembrou que a maioria das ocorrências de abuso envolve crianças entre 8 e 11 anos. "Foram casos em que chegamos a tempo de evitar um óbito, ou uma vitimação para o resto da vida. Os casos envolvendo adolescentes ainda é mínimo, em relação às crianças de até 11 anos".