A Rússia anunciou hoje (7) uma trégua de dois dias na guerra com a Ucrânia, a partir da meia-noite, para as comemorações do Dia da Vitória, que marca a derrota da Alemanha nazista. “Estamos falando dos dias 8 e 9 de maio”, disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, em sua entrevista diária. A presidência russa (o Kremlin) já tinha anunciado trégua unilateral para os dias 8 e 9 de maio, véspera e dia em que é comemorada a vitória soviética sobre os nazistas, mas a situação atual é de tensão, com acusações mútuas sobre o cumprimento de cessar-fogo. O Kremlin ameaçou responder com “ataques massivos” se Kiev interromper as celebrações. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também adotou cessar-fogo unilateral à meia-noite dessa quarta-feira (6), acusando Moscou de ter violado a trégua com novos ataques. As autoridades russas reagiram, acusando Zelensky de ter feito apenas uma “campanha de marketing”, sem nunca ter ordenado de fato um cessar-fogo para os dias 5 e 6 deste mês. “Pelo que sabemos, Zelensky nunca o ordenou [o cessar-fogo]. Já vimos isso mais de uma vez”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, em entrevista. Segundo a porta-voz, a trégua russa conta com o apoio do presidente norte-americano, Donald Trump, e provocou uma reação “nervosa e histérica” das autoridades ucranianas. “A iniciativa foi apoiada por Trump durante conversa telefónica com o presidente russo, Vladimir Putin, em 29 de abril”, disse. A reação ucraniana foi para tentar “minar a cobertura midiática do cessar-fogo anunciado pela Rússia para o Dia da Vitória”, garantiu Maria Zakharova, associando o comportamento à “situação precária” das forças ucranianas na linha da frente. “Depois de o Ministério russo da Defesa ter dito que estava suficientemente preparado para suprimir qualquer provocação do regime ucraniano, Zelensky anunciou, ou tentou anunciar, o início de um cessar-fogo na noite de 5 de maio”, lembrou. A porta-voz do ministério russo pediu aos cidadãos ucranianos e às missões diplomáticas estrangeiras que levem o assunto a sério e sigam as recomendações emitidas em caso de ataque, reiterando a ameaça de retaliar caso Kiev ataque a Rússia durante o desfile de 9 de maio. Nessa quarta-feira, Zakharova tinha afirmado que Moscou não defende “a agressão”, mas mantém a posição de que, em caso de ataque, a Rússia responderá. “Isso não deve ser ignorado. Deve ser levado muito, muito a sério”, destacou, acrescentando que tinha sido enviado alerta a todas as missões diplomáticas estrangeiras. *É proibida a reprodução deste conteúdo. Relacionadas Ucrânia: negociações de paz estão paralisadas em meio à guerra no Irã Invasão da Ucrânia completa quatro anos nesta terça-feira