Uma investigação jornalística feita pelas repórteres da Radioagência Nacional Eliane Gonçalves e Sumaia Villela joga luz sobre a face econômica da ditadura militar brasileira (1964-1985), revelando como o regime operou como uma plataforma de lucro para empresas nacionais, multinacionais e governos estrangeiros. A segunda temporada, Passado Leiloado, do podcast Golpe de 1964: Perdas e Danos, destrincha em cinco episódios semanais os mecanismos de "captura do Estado" por entes privados e o rastro financeiro que sustentou o período de exceção. O trabalho é um produto original da Radioagência Nacional, que celebra a memória do Brasil, que há 62 anos, no dia 1 de abril, enfrentou um golpe militar que depôs o então presidente João Goulart e mudou os rumos do país. Agora este trabalho mostra quem se beneficiou financeiramente com a ditadura militar, que além de retirar direitos civis, censurar, torturar e perseguir, também lucrou e endividou o país. Os episódios serão publicados todas as quartas, no site da Radioagência Nacional e nas principais plataformas de áudio. 🎧 Ouça agora no Spotify:   Projeto Diferentemente das abordagens tradicionais, a série "segue o dinheiro" para identificar quem foram os beneficiários do projeto econômico implantado sem debate com a sociedade. O podcast também mostra como uma iniciativa do Ministério Público Federal (MPF) e de pesquisadores acadêmicos tem criado um caminho para buscar responsabilização e preservar memória a respeito das violações de direitos humanos no período. O ponto de partida da temporada revela uma face pouco conhecida da diplomacia europeia. Documentos inéditos mostram que a Suíça, apesar da histórica imagem de neutralidade, foi um dos maiores investidores no Brasil durante a ditadura - ou o maior, considerando o valor per capita em relação à população suíça. A investigação detalha como empresários suíços admiravam a "paz social" do regime — com arrocho salarial e proibição de greves. O episódio de estreia descortina uma trama que vai do sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, em 1970, aos interesses dos credores suíços em manter o regime de exceção no Brasil. No segundo episódio, a série avança sobre o papel de empresas multinacionais e o elo dessas corporações com o executivo Osvaldo Ballarin. O empresário era uma espécie de embaixador do capital estrangeiro junto aos militares. A investigação segue indícios de contratos de obras superfaturadas e a engrenagem de endividamento externo, como a construção da Hidrelétrica de Itaipu. Também mostra a proximidade de altos executivos com a arrecadação de recursos para a Operação Bandeirantes (OBAN), que era o centro de tortura do regime ditatorial em São Paulo. O podcast também vai revelar como a ditadura moldou o cenário atual da educação brasileira. O caso da escola que cresceu vertiginosamente após contratos privilegiados em Foz do Iguaçu serve de exemplo para explicar a política estatal de estímulo ao ensino privado em detrimento do público. Um dos pontos mais sensíveis da pesquisa histórica,é a linha direta entre a elite escravocrata do século XIX e os financiadores da ditadura no século XX.  Responsabilização A série encerra discutindo o futuro da justiça de transição no Brasil. Como a Lei da Anistia protege apenas pessoas físicas, a estratégia do MPF foca, agora, nas pessoas jurídicas. O objetivo é que empresas que colaboraram com o regime sejam responsabilizadas civilmente. Serviço: 🎙️ Podcast: Perdas e Danos (2ª Temporada - "Passado Leiloado") 🗓️ Periodicidade: Sempre as quartas-feiras 🎧 Onde ouvir: Na Radioagência Nacional e nas principais plataformas de áudio. >> Confira nas redes sociais           Ver essa foto no Instagram                       Um post compartilhado por Agência Brasil (@agencia.brasil) Relacionadas Pesquisa identifica cela em que ditadura simulou suicídio de Herzog Banda que teve disco censurado na ditadura será indenizada pelo Estado “Não posso parar”, diz ativista que perdeu familiares na ditadura