A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira (23) para a previsão de agravamento da situação de saúde das pessoas afetadas pelas cheias em Moçambique, na África, e pediu apoio internacional para combater doenças diarreicas, a malária e infecções respiratórias agudas. Em entrevista à ONU News, a chefe do programa de emergência na OMS Moçambique, Sinésia Sitão, alertou que a previsão de várias infecções justifica mais apoio em meios para salvar vidas. "Espera-se que nos próximos dias a situação de saúde dessas pessoas possa agravar-se como consequência dessas inundações. Nós apelamos ao mundo que apoie Moçambique a combater questões das doenças diarreicas, da malária e das infecções respiratórias agudas", declarou. A prioridade, disse, é facilitar a ação das equipes de saúde no país com apoio logístico e de formação que permitam fazer chegar medicamentos e salvar vidas, em particular na província de Gaza, a mais castigada pelas inundações. Ao salientar que a OMS Moçambique está no país desde a preparação do plano de contingência, Sinésia Sitão realçou a importância de garantir a continuidade dos serviços de saúde nas zonas afetadas e alertou para a necessidade de se monitorar o aparecimento de doenças. "Nessas situações temos pessoas deslocadas, muitas pessoas num mesmo local, as condições de higiene e a água não são boas, então, isso proporciona o surgimento de doenças ou agravamento de doenças já existentes", ressaltou. Outra preocupação é com a saúde mental, incluindo a dos profissionais de saúde. "Temos a questão da saúde mental que é muito importante, as pessoas estão afetadas e precisam ser aconselhadas, ter apoio psicossocial para conseguirem fazer face a esse período de emergência que estão enfrentando. Tanto no geral como também aos próprios profissionais de saúde, que fazem parte da população e também são afetados, então é uma prioridade", enfatizou. Paulo Tomás, porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Riscos e Desastres, apontou a necessidade de resgate de cerca de 4.000 pessoas sitiadas nos distritos de Magude, Manhiça, Chókwé e Guijá, nas províncias de Maputo e de Gaza. "Ainda temos população que precisa de ser resgatada, mas com o reforço que o país está recebendo dos vários países vizinhos, de várias organizações e outras entidades, a grande preocupação é mesmo retirar as pessoas que ainda se encontram nos locais de difícil acesso. Elas estão sem meios, sem formas ou sem condições de poderem confeccionar alimentos, sem acesso à água potável, portanto, há necessidade mesmo de garantir a retirada imediata dessas pessoas dos locais", afirmou. Pelo menos 642.122 pessoas foram afetadas desde 7 de janeiro pelas cheias em Moçambique, registrando-se ainda 12 mortos, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (Ingd). O Ingd indica ainda que desde o início da época chuvosa foram confirmadas 242 unidades de saúde afetadas. Pelo menos 144 pessoas ficaram feridas e 91 centros de acolhimento albergam cerca de 96 mil desalojados. De acordo com a base de dados do Ingd, a que a Lusa teve acesso, com dados até às 15h50 (13h50 de Lisboa) desta sexta-feira, as cheias que se registram em vários pontos do país afetaram o equivalente a 139.708 famílias, com registro de 2.879 casas parcialmente destruídas, 757 totalmente destruídas e 71.560 inundadas. É proibida a reprodução deste conteúdo. Relacionadas Brasil condena demolição de agência da ONU por Israel em Jerusalém Lula e primeiro-ministro da Índia debatem ampliação de parcerias Plano de paz em Gaza é tema de telefonema entre Lula e Mahmoud Abbas